Desculpe meus amores, esqueci de vocês.
Duas pessoas especiais para mim. Me ajudaram muito nos dois primeiros anos de facu. E nossos laços de amizade se intensificaram desde então.
Muito obrigado por vocês entrarem na minha vida, duas amigas muito especiais para mim.
Dani, tome rumo na vida e saia daquele seu trabalho. Arrume um trabalho na sua área, corra atrás!
Lu, não desista, eu sei que está difícil mas é assim mesmo. Obstáculos foram feitos para enfrentarmos de cabeça erguida com persistência, siga em frente.
Beijos para vocês, minhas amigas!
domingo, 29 de junho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Facu
Grande beijo para minha Professora de Redação, Vânia. Aprendi muito com ela até agora, espero que possa desfrutar ainda mais de suas aulas nos próximos semestres.
Professor Robson, grande abraço! Você ainda tem muito o que passar para nós.
Alex, Fábio, Maurício, Keyla, William e Camila obrigado por tudo! Adoro trabalhar com vocês.
Boas férias para toda a turma do 5º semestre de Jornalismo da UnG.
Professor Robson, grande abraço! Você ainda tem muito o que passar para nós.
Alex, Fábio, Maurício, Keyla, William e Camila obrigado por tudo! Adoro trabalhar com vocês.
Boas férias para toda a turma do 5º semestre de Jornalismo da UnG.
Meus amores
Minha esposa Rita e meu filho Nikolas. Amo demais essas duas pessoas.
Meu irmão do peito, amigo para todas as horas, Junior (só ñ vou falar que te amo porque seria muita viadagem rsrsrsrs).
Meu grande amigo Tut, grande abraço!
André que já me ajudou muito, um cara que sempre posso contar, amigão.
Maggie e Popy, meus cachorros!
Viva as pessoas que fazem parte da nossa vida! São momentos ao lado delas que levamos para o outro nível quando partimos.
Meu irmão do peito, amigo para todas as horas, Junior (só ñ vou falar que te amo porque seria muita viadagem rsrsrsrs).
Meu grande amigo Tut, grande abraço!
André que já me ajudou muito, um cara que sempre posso contar, amigão.
Maggie e Popy, meus cachorros!
Viva as pessoas que fazem parte da nossa vida! São momentos ao lado delas que levamos para o outro nível quando partimos.
Didi, Dedé e o humor que ficou no passado
Júlio Maria, julio.maria@grupoestado.com.br
A grande notícia da semana não foi a vinda do príncipe japonês nem o empate vestido de derrota do Brasil para a Argentina. Nada disso. O que passou praticamente batido pelos meios de comunicação se deu no Projac, os estúdios da Globo no Rio de Janeiro, na terça-feira. Dedé e Didi estão juntos de novo, quinze anos depois do fim dos Trapalhões. O que isso pode mudar sua vida? Nada, o que é uma pena.O beijo de Dedé em Didi para selar o retorno da dupla diz muito. Depois de fazerem duas gerações irem dormir nas noites de domingo tendo acessos de riso, Didi e Dedé se distanciaram e se tornaram o primo rico e o primo pobre do riso. Didi ficou na Globo, sem um terço da graça que tinha mas sob as bênçãos da emissora. Dedé saiu de cena e foi ganhar a vida ao lado de Beto Carreiro, de forma bem menos glamourosa. Didi deu uma força para o retorno do amigo. As piadas que voltam a fazer juntos a partir de hoje, na Globo, não serão as mesmas. E a graça que se via com eles ao lado de Mussum e Zacarias se perdeu em algum lugar do passado.Há quase duas décadas, ríamos de piadas que hoje achamos imbecis ou de mau gosto. Não dá para saber se o mundo mudou ou se perdemos irremediavelmente a graça. Quer ver só? Mussum entrava em um bar e pedia: “Amigo, você tem leite de capivara aí?”. “Não tem não”, dizia o balconista. “Então me vê leite de mula manca sem cabeça”. “Ah, não tem isso não.” “Leite de perereca tem?”. “Não, claro que não”. “Nem de ganso?”. “Não”. E Mussum, deliciosamente, arrematava: “Deus é testemunha de que eu queria tomar leite. Bota uma cachaça aí!” Meu pai adorava e eu ria antes mesmo de saber que gosto tinha a cachaça.Se você riu do que leu, eu mesmo o invejo por sua capacidade de desarmar o coração e ver graça em coisas tão... singelas. Mas sei que as chances de não ter rido são muito maiores. Eu mesmo não daria um pio. Hoje como pai, acharia a piada, além de sem graça, de péssimo gosto e diria algo como ‘onde já se viu fazer uma apologia dessas ao alcoolismo em um programa para a família em plena noite de domingo?’. A associação dos alcoólicos anônimos certamente entraria com uma representação na Justiça para tirar Os Trapalhões do ar. Mussum cairia em desgraça. E a sociedade de proteção aos animais interpretaria a piada como desacato às pererecas e aos gansos. Os Trapalhões, hoje, não sobreviveriam ao segundo programa. Sinal dos tempos.Se os tristonhos senhores Didi e Dedé não fazem mais rir, a pergunta é: ‘Onde foi parar o riso na TV?’. No Pânico? No CQC? No Casseta & Planeta? O patrulhamento tem acabado com todos eles. O Pânico sofre por ter arrumado briga com Wagner Moura. Depois que dois de seus humoristas surtaram e passaram uma meleca na cabeça do ator, um batalhão de outros artistas, solidários ao amigo, deixaram de falar com o programa. Seus quadros ficam cada vez mais sem graça e sem inspiração. O CQC nem emplacou e já começa a ser barrado em ambientes oficiais onde tenta fazer suas graças de humor político politicamente incorreto. E o pobre Casseta & Planeta, que tem um time de geniais comediantes, envelhece e perde a piada. Sente, além do peso da idade, a força de um patrulhamento que vem das ruas com poder cada vez mais surpreendente. A lista de assuntos com os quais não se pode fazer piada aumenta. E a graça toda acabou ficando com o Chaves.
FONTE: JT 22/06/2008
A grande notícia da semana não foi a vinda do príncipe japonês nem o empate vestido de derrota do Brasil para a Argentina. Nada disso. O que passou praticamente batido pelos meios de comunicação se deu no Projac, os estúdios da Globo no Rio de Janeiro, na terça-feira. Dedé e Didi estão juntos de novo, quinze anos depois do fim dos Trapalhões. O que isso pode mudar sua vida? Nada, o que é uma pena.O beijo de Dedé em Didi para selar o retorno da dupla diz muito. Depois de fazerem duas gerações irem dormir nas noites de domingo tendo acessos de riso, Didi e Dedé se distanciaram e se tornaram o primo rico e o primo pobre do riso. Didi ficou na Globo, sem um terço da graça que tinha mas sob as bênçãos da emissora. Dedé saiu de cena e foi ganhar a vida ao lado de Beto Carreiro, de forma bem menos glamourosa. Didi deu uma força para o retorno do amigo. As piadas que voltam a fazer juntos a partir de hoje, na Globo, não serão as mesmas. E a graça que se via com eles ao lado de Mussum e Zacarias se perdeu em algum lugar do passado.Há quase duas décadas, ríamos de piadas que hoje achamos imbecis ou de mau gosto. Não dá para saber se o mundo mudou ou se perdemos irremediavelmente a graça. Quer ver só? Mussum entrava em um bar e pedia: “Amigo, você tem leite de capivara aí?”. “Não tem não”, dizia o balconista. “Então me vê leite de mula manca sem cabeça”. “Ah, não tem isso não.” “Leite de perereca tem?”. “Não, claro que não”. “Nem de ganso?”. “Não”. E Mussum, deliciosamente, arrematava: “Deus é testemunha de que eu queria tomar leite. Bota uma cachaça aí!” Meu pai adorava e eu ria antes mesmo de saber que gosto tinha a cachaça.Se você riu do que leu, eu mesmo o invejo por sua capacidade de desarmar o coração e ver graça em coisas tão... singelas. Mas sei que as chances de não ter rido são muito maiores. Eu mesmo não daria um pio. Hoje como pai, acharia a piada, além de sem graça, de péssimo gosto e diria algo como ‘onde já se viu fazer uma apologia dessas ao alcoolismo em um programa para a família em plena noite de domingo?’. A associação dos alcoólicos anônimos certamente entraria com uma representação na Justiça para tirar Os Trapalhões do ar. Mussum cairia em desgraça. E a sociedade de proteção aos animais interpretaria a piada como desacato às pererecas e aos gansos. Os Trapalhões, hoje, não sobreviveriam ao segundo programa. Sinal dos tempos.Se os tristonhos senhores Didi e Dedé não fazem mais rir, a pergunta é: ‘Onde foi parar o riso na TV?’. No Pânico? No CQC? No Casseta & Planeta? O patrulhamento tem acabado com todos eles. O Pânico sofre por ter arrumado briga com Wagner Moura. Depois que dois de seus humoristas surtaram e passaram uma meleca na cabeça do ator, um batalhão de outros artistas, solidários ao amigo, deixaram de falar com o programa. Seus quadros ficam cada vez mais sem graça e sem inspiração. O CQC nem emplacou e já começa a ser barrado em ambientes oficiais onde tenta fazer suas graças de humor político politicamente incorreto. E o pobre Casseta & Planeta, que tem um time de geniais comediantes, envelhece e perde a piada. Sente, além do peso da idade, a força de um patrulhamento que vem das ruas com poder cada vez mais surpreendente. A lista de assuntos com os quais não se pode fazer piada aumenta. E a graça toda acabou ficando com o Chaves.
FONTE: JT 22/06/2008
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Jornal da Tarde é censurado
Liminar concedida ontem impediu a publicação de reportagem sobre supostas irregularidades cometidas no Conselho Regional de Medicina de São Paulo. Juristas e representantes de entidades de classe consideraram a decisão censura prévia
FELIPE GRANDIN, felipe.grandin@grupoestado.com.br
Passados quase 40 anos da adoção do AI-5, que marcou o início do período mais duro do regime militar, o Jornal da Tarde volta a ser vítima de um ato de censura. Liminar concedida ontem pelo juiz-substituto Ricardo Geraldo Rezende Silveira, da 10ª Vara Federal Cível de São Paulo, proibiu a publicação de reportagem sobre supostas irregularidades cometidas pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) - que estão sendo apuradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
A liminar foi entregue ontem às 20h na redação do JT por Cláudia Costa, advogada do Cremesp. Sua autenticidade foi confirmada pela Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça. O juiz não foi encontrado para comentar a decisão.
A reportagem estava apurando as denúncias quando foi surpreendida pela liminar. Primeiro, foi avisada por telefone pela assessoria de imprensa do órgão e, depois, a cópia do documento foi entregue pessoalmente pela advogada.
Ontem à tarde, em entrevista, o presidente do Cremesp, Henrique Carlos Gonçalves, insinuou que poderia processar o JT, caso as denúncias fossem publicadas. “Qualquer divulgação (...) que venha a macular a imagem da instituição, evidentemente, o difamador nós vamos processar e quem, evidentemente, fizer a propalação desta difamação. Com processo civil e com processo-crime.” E justificou: “Não é nada pessoal. É uma instituição pública que tem que manter esse status.”Horas depois, chegou o parecer do juiz. Silveira decidiu atender o pedido do Cremesp (veja ao lado). A alegação do órgão era de que “as supostas irregularidades não se sustentam” e que havia “intuito político da reportagem, ante o processo eleitoral em que se encontra a autarquia”. A eleição da nova diretoria do conselho será em agosto.
O magistrado ainda intimou o Grupo Estado, do qual o JT faz parte, a “prestar esclarecimentos” no prazo de 72 horas. E suspendeu a publicação da reportagem “até ulterior determinação deste Juízo”.
Repercussão“Teria que prestar esclarecimentos sobre o quê? Sobre o que vai publicar? Sobre a intenção? Isso é censura”, disse o jurista Dalmo Dallari, professor catedrático da USP. “Ele está se baseando em suposições. Não há nenhum dado objetivo que dê fundamento a essa decisão.”“A Constituição Federal, no artigo 220, proíbe a censura e especialmente a censura prévia”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo. “O grande inimigo da imprensa hoje é o Poder Judiciário, que, em decisões de juízes despreparados e com vocação totalitária, cerceia a liberdade de expressão e os direitos estabelecidos.”Para a Federação Nacional dos Jornalistas, o ato é antidemocrática. “Lutamos muito pelo fim da censura, mas infelizmente isso tem se tornado freqüente”, disse o presidente do órgão, Sérgio Murillo de Andrade. Ele diz que o Conselho pode procurar a Justiça se informação inverídica for publicada. “O jornal é impedido de fazer o seu trabalho, o maior prejudicado é o cidadão.”A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) condenou a decisão judicial. “A Justiça nunca deveria proceder dessa forma.Não podemos ter jornais censurados vivendo em uma democracia”, afirmou Plínio Bortolotti, diretor da Abraji para assuntos de liberdade de imprensa. “A Abraji defende o direito que qualquer pessoa tem de entrar na Justiça ao se sentir ofendida com um conteúdo publicado. Mas, nesse caso, a matéria sequer tinha sido publicada.”O Sindicato dos Jornalistas do Estado reconhece que os mecanismos judiciais fazem parte da democracia, mas não devem ser usados em favor da censura. “Todo cidadão tem direito de recorrer à Justiça, mas quando tentam usar isso de modo escuso é condenável”, afirmou José Augusto Camargo, presidente do Sindicato.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também condenou a atitude do Cremesp e do juiz. “O abuso é punido a posteriori. Jamais previamente, antes de expressado o pensamento”, diz o presidente da OAB, Cézar Britto. “A prática da censura prévia tem sido noticiada constantemente, o que deve acender o sinal de alerta da democracia.”
FONTE: JT 25/06/2008
Rui Castro
Tapando o nariz
RIO DE JANEIRO - No tempo do "milagre", nos anos 70, o ditador Garrastazu Médici, falando à imprensa estrangeira, escorregou e disse uma frase que ficaria célebre: "O Brasil vai bem, mas o povo vai mal". Sem querer, admitia que os índices de crescimento do país, tidos como espetaculares, não se refletiam nas condições de vida diária do brasileiro, que continuava roendo beira de penico.Hoje é o contrário. O brasileiro vive um inédito carnaval consumista. Há dinheiro e crédito para tudo: casa própria, carro blindado, TV de plasma, notebook, iPod, depilação a laser, tomate seco, mozarela de búfala, Viagra, Prozac, Lexotan. Qualquer colchete ou retrós pode ser pago em seis vezes -já vi gente comprando um jornal em Congonhas (R$ 2,50) e pagando com cartão de crédito. Todos os índices falam do aumento do poder de fogo do brasileiro diante de um rack, gôndola ou prateleira.
Já o Brasil cambaleia e aderna em outros índices. A Amazônia precisa ser protegida da cobiça dos gringos para continuar sendo derrubada por nós mesmos, à razão de sete campos de futebol por minuto. Instauram-se incontáveis CPIs, apenas para vê-las arquivadas em menos de um ano, para que um ex-governo não possa puxar o rabo do atual e vice-versa. Desmascara-se um chefe de quadrilha e descobre-se que ele era o mesmo chefe da polícia, e que o chefe de ambos era o próprio chefe do governo.Todo dia vazam denúncias de armações, maracutaias, tráfico de influência, desvio de recursos públicos e compra pura e simples de governos, envolvendo multinacionais, ONGs e todos os níveis de administração -denúncias essas que só têm como resposta a arrogância ou o cinismo.Os intestinos da maioria das instituições fedem. O povo tapa o nariz e vai às compras.
FONTE: FSP 09/06/2008
Artigo: Antônio Carlos de Almeida Castro
Cadeia não é catarse
O sigilo do processo é uma arma contra o investigado: divulga-se o que em tese incrimina e amordaça-se o exercício do contraditório
O sigilo do processo é uma arma contra o investigado: divulga-se o que em tese incrimina e amordaça-se o exercício do contraditório
É QUASE impossível não acompanhar o andamento desse trágico assassinato da pequena Isabella. Todo esse episódio merece algumas reflexões, até porque o Brasil é um país de catástrofes diárias. Infelizmente, estamos vivendo em um círculo de giz imaginário, em que o Estado policial e a exaltação da barbárie cada vez mais alijam os direitos individuais e as garantias constitucionais conseguidas a duras penas. O medo substitui a segurança jurídica e a cadeia é apresentada como solução fácil para os problemas nacionais. O discurso do direito penal do terror ganha espaço e cada vez mais adeptos. O sigilo do processo é uma arma contra o investigado: divulga-se tudo o que em tese incrimina e amordaça-se a hipótese do exercício pleno do contraditório público e da ampla defesa. Escrevo na condição de um dos milhões de brasileiros que acompanham o desenrolar da trama sem ter tido acesso a nada dos autos. Muitas são as circunstâncias que merecem ser comentadas. Em primeiro lugar, a prisão. No Brasil, infelizmente, a prisão temporária, que, necessariamente, só poderia acontecer em situações excepcionais -pois a prisão é sempre uma exceção-, virou a regra. Há uma banalização da prisão. Ouvi o promotor de Justiça dizer na televisão que era necessária a prisão porque Alexandre Nardoni (o pai) e Anna Carolina Jatobá (a madrasta) poderiam voltar para casa e, em tese, ter contato com testemunhas importantes, influenciando-as. Ora, em tese, todo investigado pode ter contato com testemunha. É necessário, para justificar a prisão, qualquer prisão, sob esse fundamento, que se aponte um fato concreto: no dia tal, às tantas horas, tentou influenciar fulano ou sicrano. Caso contrário, a prisão seria obrigatória. Imagine se o investigado for um jornalista que tem influência em determinado jornal, ou um político que tem forte poder, ou, pior, um ministro do Supremo Tribunal Federal, que, em tese, detém fortíssima possibilidade de intimidar ou influenciar pessoas. Nesses casos, se investigados, teriam que necessariamente ser presos temporariamente, pois, em tese, teriam o poder evidente de influenciar. Tal paroxismo levou à ingênua, porém, profunda, observação de um jovem de dez anos que ao meu lado viu a prisão do casal pela televisão: "Espero que eles sejam culpados, caso contrário, se forem inocentes, essa prisão será a morte para eles". Outro fato digno de reflexão é a divulgação que se deu da já famosa cena no supermercado: a família andando em perfeita harmonia passou a ser uma prova da inocência, da impossibilidade de serem, o pai e a madrasta, os responsáveis pela morte. É de se indagar: tivesse aquela doce criança feito uma travessura, normal naquela idade -tal como puxar o cabelo do irmão ou mesmo abrir na hora errada um iogurte-, e a madrasta, no papel de educadora, chamado-lhe a atenção, até mesmo de dedo em riste, devido ao cansaço ou a uma irritação humanamente compreensível, seria esse vídeo prova de que ela matara a criança? Teria o país inteiro feito como fez uma delegada no momento da prisão e gritado: "assassina!". São muitas as nuances que nos deixam perplexos. O pai não ligou primeiro para o socorro. Ligou para o pai dele. Tudo devidamente registrado, hora, minuto e segundo. Não é um pedido de socorro ligar para o pai? Será que todas as pessoas que estão vendo e acompanhando esses fatos sabem qual é o número da polícia ou do Corpo de Bombeiros? Pode-se exigir de alguém que se depara com um filho, ou um irmão, ou algum ente amado em estado grave que siga um "manual de instrução sobre como agir em caso de perigo ou morte"? E a ânsia de apontar contradições entre os depoimentos dos porteiros, vizinhos, amigos? Faço uma provocação: conversem determinado assunto em um grupo de oito pessoas e, daí a uma hora, peça às oito pessoas para descreverem a cena de uma hora atrás: lugar onde cada um sentava, roupa, forma de falar e o que cada um falou. Quase certamente veríamos oito prisões temporárias pelas contradições que se apresentariam. Não quero com isso diminuir a importância de acompanhar passo a passo o desdobrar de fatos que chocam a todos nós. Mas é necessário que sejamos todos mais humanos, menos julgadores e possamos aprender com o poeta Leão de Formosa nessas horas: "Aperfeiçoa-te na arte de escutar, só quem ouviu o rio pode ouvir o mar".
ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO , 50, o Kakay, é advogado criminalista.
FONTE: FSP 15/04/2008
Verissimo
De Juan Tizol a Barak Obama
Verissimo
Verissimo
A luta pelos “direitos civis” dos negros americanos chega a uma espécie de apoteose com a candidatura de Barak Obama, já que poder ser presidente é o direito civil máximo do cidadão de uma república. A prática democrática, afinal, tanto faz até que fura qualquer preconceito. Diziam que um católico jamais seria presidente dos Estados Unidos. John Kennedy chegou lá. Agora uma possibilidade ainda mais improvável, um negro na Casa Branca, pode se tornar realidade. Mesmo que Obama não se eleja, o fato de chegar tão perto já é histórico.
Foi ali pela metade do século passado, estou perdoado se não me lembrar de detalhes. Acho que o nome da menina era Eileen. Minha colega no Theodore Roosevelt High School em Washington. Uma típica “teen-ager” americana, bonitinha, e branca como todos na escola, no ano em que entrei. No ano seguinte a Corte Suprema determinou o fim da segregação racial nas escolas americanas e a Roosevelt High School recebeu seus primeiros alunos negros. Houve protestos e tumultos em outras escolas. Na nossa não, mas a segregação de fato continuou, os grupos não se misturavam. Até que houve uma eleição para presidente da classe, ou coisa parecida, e a Eileen, cujo biótipo sugeria que seria a última pessoa do grupo a fazer tal coisa, levantou-se e indicou um dos negros recém-chegados como candidato. Ele foi eleito. A integração de fato, pelo menos na nossa classe, começou ali. Ninguém se deu conta, mas também estávamos vivendo um pequeno momento histórico. A loira Eileen não era uma intelectual progressista. Quando não estava na escola trabalhava no balcão de uma “drugstore”, servindo “sundaes” e “milk-shakes”. Ela nunca ficou sabendo que era minha heroína.
Meu gosto pelo jazz me levou a viver mais de perto a questão racial americana. Quando ia ver os shows de “rhythm and blues” no Howard Theatre de Washington era o único branco na platéia. O “rhythm and blues”, precursor direto do “rock”, estava recém-começando a ser cooptado pelos brancos, mas o jazz já contribuía há alguns anos para a aproximação das duas raças. No famoso concerto da banda do clarinetista Benny Goodman e convidados no Carnegie Hall de Nova York em 1936 viu-se pela primeira vez num palco um branco e um negro - Goodman e o pianista Teddy Wilson - tocando juntos. Mas quase 20 anos depois disso os melindres persistiam. Lembro de ver na TV um programa musical em que uma das atrações era Joe Williams, grande cantor da banda do Count Basie. No final do programa era para todos os participantes dançarem juntos, e de repente o diretor se deu conta que isso significaria aparecer, nas telas de toda a América, o negro Joe Williams dançando com uma das artistas brancas. O malabarismo que ele precisou fazer com suas câmeras para evitar que o horror fosse focado seria cômico se não fosse tão grotesco. De certa maneira, aquilo simbolizava todo o absurdo do racismo renitente numa sociedade aberta.
Nunca senti qualquer reação, fora algumas caras de surpresa, quando freqüentava o Howard Theater de Washington, mas músicos brancos viajando com bandas de negros pelo Sul dos Estados Unidos, onde o apartheid era oficial e rigoroso, sofriam um desconforto duplo. Eram discriminados pelos brancos e pelos negros. O ruivo Red Rodney, trompetista que andou com o quinteto do Charlie Parker numa excursão por Estados sulistas, era obrigado a jurar que tinha sangue negro para poder dormir no mesmo hotel e comer no mesmo restaurante com o resto do grupo. E o absurdo chegou ao máximo, se o que contam é verdade, no caso da orquestra do Duke Ellington. Um trombonista da legendária banda, Juan Tizol, era negro mas não parecia. Contam que, depois de ouvir muitas reclamações, tanto de brancos quanto de negros, sobre a presença de Tizol na banda, Ellington tomou uma decisão. Mandou que, quando tocasse no Sul, Tizol pintasse o rosto de preto. Durante muitos anos, os Estados Unidos estariam, assim, divididos entre os que Tizol precisava levar sua latinha de graxa e os que não precisava.Barak Obama não precisou pintar o rosto ou adotar nenhum outro tipo de disfarce para ser candidato à presidência. Um apartheid não oficial continua a existir na sociedade americana, apesar de ter gente dizendo que a candidatura do Obama é prova de uma América pós-racial, em que a questão custou, mas acabou sendo derrotada pelos seus próprios absurdos. O fato é que, entre Juan Tizol e Barak Obama, houve uma revolução. Pode-se creditá-la, em parte, ao jazz.E se sobrarem alguns agradecimentos, não nos esqueçamos da loira Eileeen.
FONTE: OESP 22/06/2008
Artigo: Reinaldo Azevedo
O que eles querem é imprensa nenhuma
"As críticas ao trabalho da imprensa no caso Isabella carregam,não raro, o rancor e a má-fé dos que pretendem tratar a República como assunto privado, ao abrigo da curiosidade do ‘povo’, visto como um bando de linchadores, e do escrutínio da opinião pública"
O caso Isabella virou metáfora. Em certos círculos, as notícias sobre o assassinato bárbaro da menina tornaram-se símbolo dos "exageros" cometidos pela "mídia" – empregam essa palavra em vez de "imprensa". Veremos por quê. Não por acaso, os críticos mais severos contam-se entre os esquerdistas em geral e os petistas em particular. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, resistiu em silêncio por longos 28 dias, mas não se conteve e comentou o assunto, com uma ponderação de aparente bom senso e falsa obviedade acaciana: "O que eu acho grave é que, mesmo que o casal seja inocente, eles já estão condenados. Eu acho que é preciso tomar um cuidado muito grande ao tratar essas questões, porque são vidas que estão em jogo, e vidas destruídas que dificilmente se recuperarão".
Há similaridade entre o que diz Lula sobre o pai e a madrasta, acusados do assassinato, e o que ele próprio já afirmou sobre os mensaleiros, os aloprados e a turma do dossiê da Casa Civil. Fiquemos numa entrevista famosa, concedida a Pedro Bial, no dia 1º de janeiro de 2006, no Fantástico: "Eu, Pedro, baseio a minha vida em achar que todo mundo é inocente até que se prove o contrário. Então, todo mundo merece a chance de ser inocente até que se investigue e se prove que ele é culpado". É preciso lembrar quem estava sendo carregado nesse andor da santidade legalista. Segundo o procurador-geral da República, são quarenta pilantras, muitos deles "quadrilheiros".
Sim, metáfora. As críticas ao trabalho da imprensa no caso Isabella carregam, não raro, o rancor e a má-fé dos que pretendem tratar a República como assunto privado, ao abrigo da curiosidade do "povo", visto como um bando de linchadores, e do escrutínio da opinião pública. Não me espanta esse viés demofóbico da esquerda, essa repulsa ao populacho. Para ela, povo bom é aquele organizado nos ditos "movimentos sociais", a aristocracia militante dos "sem-isso-e-sem-aquilo". Já essa gente sem causa, que cobra justiça nas ruas, o vulgo, merece é chicote. Compreende-se que a demofobia esquerdista tenha resultado, na história, em "democídio" – se me permitem o neologismo.
Estaria eu questionando o princípio da presunção de inocência, descoberto tardiamente pelo PT, só depois de ter chegado ao poder? Eu não! Sou aborrecidamente legalista, a tal ponto que a lei é, para mim, num ambiente democrático, o núcleo da distinção entre direita e esquerda. Esquerdista é quem acredita que a "legitimidade" de uma causa social, que é sempre a causa de um grupo, justifica a transgressão legal. Para um direitista, o desrespeito aos códigos democraticamente estabelecidos é inaceitável e resulta em mais injustiça. Volto ao ponto: a presunção de inocência, se ao abrigo da apuração jornalística e da livre circulação de informações, degenera em impunidade. No caso Isabella, a imprensa não inventou os incríveis treze minutos em que tudo teria acontecido nem "plantou" as marcas da rede na camiseta do pai ou a pegada de seu chinelo no lençol. O jornalismo também é inocente dos saques no Banco Rural, do depósito feito na conta de Duda Mendonça no exterior, da mala de dinheiro ilegal dos aloprados ou do dossiê feito pela Casa Civil.
Pobre povo! Se, dadas as informações, estivesse impedido de fazer certas deduções, mal conseguiria botar o nariz fora da porta sem ser atropelado. Precisamos atravessar a rua e vemos um carro a distância. O cérebro executa operações que cumprirão algumas leis da física, sejamos ou não colhidos pelo veículo. Mas não ocorre a ninguém declarar a rua território exclusivo dos físicos. E isso não implica dispensar o conhecimento especializado para distinguir o fato das falsas evidências. Seja na cobertura da morte de Isabella, seja na apuração dos desmandos dos petralhas, a imprensa cumpre o seu papel: informar.
Estranho seria um povo que não se comovesse ou não se indignasse. Volta e meia, em meu blog, lembro a frase do dramaturgo latino Terêncio (185 a.C.-159 a.C.): "Homo sum: humani nihil a me alienum puto" – "Sou homem; nada do que é humano me é estranho". Haverá adormecido em cada um de nós um infanticida em potencial, um corrupto, um demagogo, um autoritário? Tendemos a censurar com veemência aquilo que, no íntimo, tememos? É bem possível. Mais do que isso: é provável. Quando alguém nos xinga de "filho da outra", o que mais nos ofende? O agravo à nossa mãe ou a percepção primitiva de que, de fato, ela um dia nos traiu? Sou sensível a essa investigação, digamos, psicanalítica dos eventos. Mas também é fato que a maioria de nós aprendeu, felizmente, a reprimir a besta. E, por isso, numa manifestação que nada tem de patológico – ao contrário: é prova de saúde social –, queremos afastar do convívio os que cederam a seus demônios íntimos. Porque, de fato, eles nos ameaçam. Sem repressão, estaríamos nas cavernas. A moral complexa da civilização não perdoa a idade da pedra da nossa formação psíquica. Ainda bem!
A crítica ao comportamento do jornalismo no caso do infanticídio trai a repulsa a um dos aspectos mais virtuosos da democracia: a liberdade de informação. E só por isso, diga-se, emprega-se "mídia", um termo que já virou um fetiche, em vez de "imprensa". A palavra, do inglês "media", ganhou notoriedade nos anos 60. Mundo ocidental afora, os "revolucionários" das universidades resolveram desconstruir os "mass media", os "meios de comunicação de massa", entendidos como severos monstros da dominação ideológica, a serviço, claro, do hediondo capitalismo e da banalização das verdades superiores da humanidade. Para os maoístas de Paris ou para os pós-marxistas de Frankfurt – passando pela ditadura soviética –, a "media" era a expressão da falsa consciência, manipulando as massas e afastando-as de seus reais desígnios. Quais desígnios? Se os esquerdistas descobriram, mantiveram a coisa em sigilo. Ninguém sabe até hoje. Nota: cumpre lembrar que só os comunistas dos países livres se dedicaram à tarefa de desconstruir a "mídia". Os comunistas dos países comunistas estavam empenhados em censurá-la.
Sérgio Sade
"Na década de 70, a ditadura militar proibiu as notícias sobre uma epidemia de meningite (na foto, de 1975, uma fila de vacinação). Hoje, acusa-se a ‘mídia’ de fazer estardalhaço com a dengue, com um acidente aéreo ou com o assassinato de uma menina. O ímpeto é o mesmo: a censura. Se não a aplicam, é porque não podem, não é porque não queiram"
Não estou entre aqueles que querem fazer o mundo andar para trás. Boa parte das críticas ao jornalismo contribuiu para que ele aprimorasse seus instrumentos de apuração e reduzisse suas margens de erro, embora a patrulha esquerdopata tenha imprimido para sempre a sua marca politicamente correta na imprensa, sempre tão disposta a condescender com os oprimidos de manual, conforme reza a cartilha do marxismo chulé que empesta as faculdades.
Mas a minha condescendência não alcança a vigarice dos que, sob o pretexto de defender uma imprensa propositiva, menos sensacionalista e mais objetiva, pretendem, de fato, é tê-la sob o cabresto dos interesses do estado, do governo ou de um partido. Na década de 70, a ditadura militar proibiu as notícias sobre uma epidemia de meningite. Hoje, acusa-se a "mídia" de fazer estardalhaço com a dengue, com um acidente aéreo ou com o assassinato de uma menina. O ímpeto é o mesmo: a censura. Se não a aplicam, é porque não podem, não é porque não queiram.
Dada a impossibilidade, o poder e seus esbirros recorrem, então, à intimidação, apontando supostas contradições entre o interesse público e os interesses "da mídia", que passa a ser demonizada como um antro de conspiradores. Fingem querer uma imprensa melhor. O que eles querem é imprensa nenhuma. Que Isabella, sem metáfora, descanse em paz, livre de qualquer exploração oportunista, com seus assassinos na cadeia. A punição de homicidas e ladrões faz do mundo um lugar melhor. E faz de nós homens melhores. Porque estaremos dizendo a nós mesmos: "Somos diferentes deles". E nós somos.
Quanto aos exageros da liberdade de imprensa, vamos coibi-los. Com mais liberdade de imprensa.
FONTE: REVISTA VEJA
terça-feira, 24 de junho de 2008
Felipe César
Lula e o Senador Palpatine, alguma semelhança ?
Agora vem um novo escândalo político: a compra e venda da companhia área Varig, pela então subsidiária, VarigLog.
A influência que a Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem sobre outros políticos, diretores e secretarias é inquestionável. Mas o fato é que tem alguém que dita as ordens acima de Dilma. Como o Senador Palpatine no filme Guerra nas Estrelas, com seus tentáculos por todos os órgãos do poder, mandava às escuras, ninguém sabia que ele era o líder do lado negro da força.
Acontece a mesma coisa na política brasileira. No caso do mensalão, o Presidente da República não sabia de nada, sobrou para José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil. Dirceu foi cassado e perdeu seus direitos políticos. Mas não sobrou somente para José Dirceu. Teve Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, Marcos Valério, publicitário, e muitos outros. mas o Presidente Lula saiu intacto.
Aí vem o escândalo dos cartões corporativos. Alguns chefes de Ministério abusaram do dinheiro de plástico, até reitores de Universidades Federais gastaram abusivamente com o cartão. Então, para ‘blindar’ o governo, ‘alguém’ teve a magnífica idéia de compor um dossiê do governo FHC de gastos com o cartão, especificamente do gabinete da presidência.
O dossiê vazou para a imprensa, e então começou a saga do cartão. Quem foi que vazou para a imprensa e quem elaborou o dossiê ? É claro que o Presidente da República ficou horrorizado e mandou investigar tudo isso, e novamente sobrou para a Casa Civil. Ministros e Reitores saíram de seus cargos, mas nesse caso a Ministra da Casa Civil se manteve firme, agüentou a pressão e blindou o governo, como um abrigo nuclear.
Agora surge mais um impencílio político: como se deu a compra e venda da Companhia Aérea Varig pela VarigLog ?
A ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Denise Abreu, veio a público denunciar que a Ministra Dilma Rousseff influenciou bruscamente a venda da Companhia ao fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, no qual um deles, é compadre do Presidente Lula.
É de extrema importância que seja investigado tudo isso, e que as irregularidades que surgirem aponte a verdade. Mas o mais importante, é que se descubra quem é o Darth Sidious brasileiro, o lado negro da força.
A influência que a Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem sobre outros políticos, diretores e secretarias é inquestionável. Mas o fato é que tem alguém que dita as ordens acima de Dilma. Como o Senador Palpatine no filme Guerra nas Estrelas, com seus tentáculos por todos os órgãos do poder, mandava às escuras, ninguém sabia que ele era o líder do lado negro da força.
Acontece a mesma coisa na política brasileira. No caso do mensalão, o Presidente da República não sabia de nada, sobrou para José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil. Dirceu foi cassado e perdeu seus direitos políticos. Mas não sobrou somente para José Dirceu. Teve Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, Marcos Valério, publicitário, e muitos outros. mas o Presidente Lula saiu intacto.
Aí vem o escândalo dos cartões corporativos. Alguns chefes de Ministério abusaram do dinheiro de plástico, até reitores de Universidades Federais gastaram abusivamente com o cartão. Então, para ‘blindar’ o governo, ‘alguém’ teve a magnífica idéia de compor um dossiê do governo FHC de gastos com o cartão, especificamente do gabinete da presidência.
O dossiê vazou para a imprensa, e então começou a saga do cartão. Quem foi que vazou para a imprensa e quem elaborou o dossiê ? É claro que o Presidente da República ficou horrorizado e mandou investigar tudo isso, e novamente sobrou para a Casa Civil. Ministros e Reitores saíram de seus cargos, mas nesse caso a Ministra da Casa Civil se manteve firme, agüentou a pressão e blindou o governo, como um abrigo nuclear.
Agora surge mais um impencílio político: como se deu a compra e venda da Companhia Aérea Varig pela VarigLog ?
A ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Denise Abreu, veio a público denunciar que a Ministra Dilma Rousseff influenciou bruscamente a venda da Companhia ao fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, no qual um deles, é compadre do Presidente Lula.
É de extrema importância que seja investigado tudo isso, e que as irregularidades que surgirem aponte a verdade. Mas o mais importante, é que se descubra quem é o Darth Sidious brasileiro, o lado negro da força.
Felipe César
Estudante de Jornalismo
Verissimo
O Sandrão
Verissimo
Verissimo
Idéia para uma história. Um homem chega numa pequena cidade do interior e registra-se num hotel. Quando o recepcionista do hotel vê seu sobrenome - digamos, Soviero - arregala os olhos. Depois disfarça e diz:
- Soviero... Soviero... Eu conheci um Soviero. Será seu parente?
- Acho difícil - diz o homem.
Assim que o homem entra no elevador com suas duas malas o recepcionista pega o telefone e faz uma ligação. Suas mãos tremem.Vinte minutos depois o homem ouve baterem na porta do seu quarto. Abre a porta. É um homem corpulento que se apresenta como delegado Matias. O delegado Matias não quer entrar. Não perde tempo com formalidades. Diz:
- Olha aqui, Soviero, nós não queremos encrenca.
- O quê?
- O que passou, passou. Vamos esquecer o que houve.
- Não sei do que o senhor está falando.
- E eu não sei o que você está querendo.
- Eu? Nada. Represento uma linha de bijuterias. Vim tentar vender o meu produto nesta região. Se o senhor quiser ver o mostruário...
O homem indica uma das malas sobre a cama, mas o delegado Matias não quer ver nada. Só quer avisar:
- Nem pense em vingança.
Quando sai do elevador o homem vê um grupo reunido no saguão do hotel. Todos estão falando mas param de falar quando ele aparece. Ninguém se aproxima. O homem ouve uma voz dizer “Não se parece com ele”, e outra dizer “Parece sim, parece sim”. Finalmente um velho se destaca do grupo, examina o rosto do homem e pergunta:
- O que você é do Sandrão?
- Não conheço nenhum Sandrão.
- Irmão? Filho?
- Nada. Não conheço nenhum...
- Só vou lhe dizer uma coisa - interrompe o velho. - Ele mereceu. Está me entendendo? Ele mereceu!
O homem consegue que o apavorado recepcionista lhe indique um bom restaurante perto do hotel. Mal o homem acaba de comer surge uma mulher que pede para sentar com ele. No hotel disseram onde encontrá-lo. A mulher não é feia. Ela diz:
- Eu sou a Lizete. O Sandrão não lhe falou de mim?
- Eu não conheço nenhum...
- Mas é claro, não podia ter falado. Ele não saiu vivo daqui. Eu não tive nada a ver com o que fizeram com ele, viu? Apesar de tudo que ele fez...
- O que foi que ele fez?
Mas Lizete parece não ter ouvido. Está com o olhar perdido.
- Sandro Soviero, Sandro Soviero... Digam o que disserem, era um homem e tanto.O olhar de Lizete fixa-se no homem.
- Se você for a metade do homem que ele era... Depois, na cama, ela insiste:
- Antes, diz o que você é dele, diz!
O homem já está com a cara entre os seios de Lizete. Balbucia:
- Irmão.- E veio vingar o Sandrão, não veio?
- Vim, vim!Mais tarde, quase dormindo, o homem pergunta por que o recepcionista do hotel parece tão nervoso. Lizete conta que foi ele quem revelou onde podiam encontrar o Sandrão, para matá-lo. Aliás, o Sandrão estava naquele mesmo quarto, com ela, quando fora trucidado.
O homem então pergunta o que Sandro Soviero fez de tão horrível para merecer ser trucidado. Não ouve resposta, vira-se e vê que Lizete não está mais ao seu lado. Foi avisar aos outros que o homem é, sim, parente do Sandrão e está ali para vingá-lo. Dali a pouco o quarto é invadido por um grupo, liderado pelo delegado Matias. Matam o homem. Depois o delegado Matias abre as malas do homem e descobre, numa, as suas roupas e pertences e na outra, em vez das armas com as quais o Sandrão seria vingado, um mostruário de bijuterias.
Artigo
Jornalismo da segunda vida
O espírito do jornalismo em que o ideal é que todos possam ser jornalistas acha muitos adeptos no lado de cá da realidade
MUITOS JÁ decretaram a morte do jornalismo impresso. Agora, já há quem preveja a substituição do jornalismo do mundo real pelo do universo da segunda vida, em que valores como a necessidade de checar os fatos para ver se eles pelo menos ocorreram deixam de ter qualquer significado.O Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais, um dos raros grupos de intelectuais dispostos a produzir conhecimento independente que teimam em sobreviver no Brasil, realizou em São Paulo na semana passada seminário internacional sobre as novas mídias em que o mundo virtual foi uma das atrações.A Second Life, criação de 2003 do Linden Lab, uma empresa de tecnologia de São Francisco, Califórnia, é muito mais do que um jogo. Pretende ser uma realidade alternativa.Seus residentes, mais de 5 milhões atualmente, criam avatares de si próprios. O avatar não é um clone de seu criador nem um replicante do universo de Blade Runner. Ele é a pessoa melhorada. Um homem obeso e tímido pode virar atlético e audaz.Os avatares ganham vida, andam, voam, trabalham, brincam, fazem negócios na vida virtual. Com dinheiro de verdade do mundo real. Compram roupas, terrenos, casas (já movimentam mais de US$ 60 milhões por ano).Fazem jornalismo também. Há os meios de comunicação do mundo virtual, criados e desenvolvidos por avatares, que noticiam os acontecimentos da Second Life. E há os meios de comunicação do mundo real que se estabelecem na realidade alternativa. Reuters e CNN são dois exemplos de empresas jornalísticas que instalaram escritórios e correspondentes nesse novo universo.Tudo poderia não passar de brincadeira inteligente, frívola ou psicótica -depende do gosto- de sociedades e indivíduos que já resolveram (ou pensam ter resolvido) seus problemas materiais básicos e podem se dar ao luxo de dar vida a bonecos em que superam suas frustrações e limites.O problema é que esse espírito do jornalismo em que o ideal é que todos possam ser jornalistas acha muitos adeptos no lado de cá da realidade.O conceito de jornalista-cidadão, que tem muito de positivo, pode gerar situações complicadas. Veja o recente exemplo de Mayhill Fowler, que entrevistou o ex-presidente Bill Clinton se passando por simples eleitora e entrou em reunião do candidato Barack Obama identificando-se como voluntária de sua campanha.Ela registrou declarações sensacionais dos dois e causou grandes prejuízos a ambos. Fez um serviço público? Praticou bom jornalismo? Revelou à sociedade o que os políticos realmente pensam, mas não dizem em público? Ou foi antiética, desonesta, agiu sob a lógica de fins justificando meios?Faz sentido discutir ética jornalística nesse ambiente? No seminário de São Paulo, um pesquisador britânico disse que o conceito de privacidade é "um produto da era industrial, que agora está acabando" e que, portanto, "não deveria nos surpreender que estejamos procurando construir novas formas de construir uma identidade on-line".Se todos os valores humanos estão em xeque neste ambiente de múltiplas realidades, por que os do jornalismo sobreviveriam?
Carlos Eduardo Lins da Silva é o ombudsman da Folha desde 24 de abril de 2008. O ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais dois. Não pode ser demitido durante o exercício da função e tem estabilidade por seis meses após deixá-la. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores, recebendo e verificando suas reclamações, e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação.
Felipe César
O PONTO
Ponto que inicia
Ponto que termina
Ponto que incompleta
Ponto que finaliza
Ponto em comum
Ponto incomum
Ponto que desce
Ponto que sobe
Ponto que brilha
Ponto que apaga
Ponto que determina
Ponto que indetermina
Ponto que enaltece
Ponto que atenua
Ponto que ilumina
Ponto que escurece
Ponto carente
Ponto incoerente
Ponto que casa
Ponto que separa
Ponto que pula
Ponto que descansa
Ponto polido
Ponto desbocado
Blues, dois pontos
B.B. King
R&B, dois pontos
Ray Charles
Nova, Bossa
Mil pontos, Tom Jobim
Beleza que nasce
que cresce
que evolui
que apaixona
que conquista infinitos pontos
que envelhece
que morre
Ponto ...
Ponto final.
Ass: Felipe César
Ponto que inicia
Ponto que termina
Ponto que incompleta
Ponto que finaliza
Ponto em comum
Ponto incomum
Ponto que desce
Ponto que sobe
Ponto que brilha
Ponto que apaga
Ponto que determina
Ponto que indetermina
Ponto que enaltece
Ponto que atenua
Ponto que ilumina
Ponto que escurece
Ponto carente
Ponto incoerente
Ponto que casa
Ponto que separa
Ponto que pula
Ponto que descansa
Ponto polido
Ponto desbocado
Blues, dois pontos
B.B. King
R&B, dois pontos
Ray Charles
Nova, Bossa
Mil pontos, Tom Jobim
Beleza que nasce
que cresce
que evolui
que apaixona
que conquista infinitos pontos
que envelhece
que morre
Ponto ...
Ponto final.
Ass: Felipe César
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