quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ombudsman

Felipe César - 03/2009

A função de ombudsman surgiu na Suécia em 1809. Inicialmente, o cargo tinha o status de ministro, e seu papel era de fiscalizar os funcionários públicos e ouvir os cidadãos.
Na imprensa, há duas versões para o aparecimento do ombudsman: criado em 1822 no jornal japonês Asahi Shimbum. E outra versão diz que o cargo surgiu em 1967, em publicações norte-americanas do jornal Louisville Corrier Journal.
Nos meios de comunicação, o ombudsman tem a função de ser um canal de comunicação entre o jornalista e o público. É seu dever fiscalizar o conteúdo jornalístico da mídia, e se a empresa cumpre os deveres éticos e profissionais com seus clientes e colaboradores.
É um caminho perigoso que o ombudsman percorre, pois seu trabalho pode ser confundido com a função de outro profissional, o de relações-públicas, que defende os interesses da empresa e é responsável por tratar da imagem da empresa no mercado.
Por isso, o ombudsman tem o compromisso com a ética e com o público. A função da mídia é divulgar informações relevantes ao interesse público, sempre pautado pela veracidade dos fatos, e o ombudsman deve ser um agente fiscalizador desse trabalho.
É sua responsabilidade não deixar que interesses políticos ou pessoais deixem influir na linha editorial da empresa. E se isso acontecer, é seu dever informar ao público, para que isso não aconteça novamente.
O ombudsman defende a total apuração dos acontecimentos e à correta divulgação dos fatos. E é também de sua alçada investigar se não há irregularidades, do ponto de vista ético, na empresa que trabalha. Por exemplo: investigar possíveis denúncias de assédio moral, funções acumuladas por jornalistas e profissionais que descumprem o Código de Ética.
O ombudsman ainda recebe sugestões e reclamações do público, em relação à programação e/ou linha editorial da empresa. Propõe melhorias, apura denúncias ou irregularidades, sugere mudanças, e mantém um diálogo transparente com o público. Já com o jornalista, o relacionamento é de intensa fiscalização, seja do trabalho, ou sua conduta ética.
Na América Latina a função do ombudsman ainda é pouco explorada. Somente os jornais Folha de São Paulo, A Notícia, de Santa Catarina, O Povo, do Ceará, a Rádio Bandeirantes e a TV Cultura, ambos de São Paulo, possuem este profissional.
Atualmente, os maiores jornais do mundo têm ombudsman: The Washington Post (EUA), Le Monde (França), El País e La Vanguardia (Espanha), The Sun (Inglaterra) e o diário de maior circulação do planeta, o japonês Yomiuri Shimbum (10 milhões de exemplares por dia).

FONTE DE CONSULTA: Ombudsman e o leitor (livro). Autor: Jairo Faria Mendes

Brincadeira ou espetacularização?

86) Falsa tentativa de suicídio Em geral, as vítimas das pegadinhas são pessoas privadas, mas, em novembro de 1999, o programa do apresentador “Sérgio Malandro” (TV CNT/Gazeta) produziu uma delas contra o Corpo de Bombeiros, ao pagar um homem (contratado por R$ 100) para escalar um semáforo numa movimentada rua de São Paulo. Uma equipe de resgate foi deslocada acreditando tratar-se de uma tentativa de suicídio.

87) Falsa invasão Em dezembro de 1999, o programa Domingo Legal, do SBT, exibiu uma pegadinha em que um falso grupo de sem-tetos invadia um terreno em São Paulo, para dar um “susto” na proprietária. O episódio gerou um pedido de direito de resposta por parte do Movimento dos Sem-Teto, por considerar que o quadro caracterizava os sem-tetos como vândalos. (Fonte: Folha de S. Paulo, Caderno TV Folha, 5/12/99).
Felipe César - 03/2009
Essa brincadeira tornou-se popular no programa Topa tudo por dinheiro, do apresentador e empresário Sílvio Santos. O ator Ivo Holanda, ficou famoso nesse quadro por sempre apanhar das pessoas, que eram vítimas da ‘pegadinha’. O Topa tudo por dinheiro ficou muito famoso na década de 90, e as ‘pegadinhas’ eram apresentadas em blocos durante toda a apresentação do programa.
Nessa época já se discutia o teor das pegadinhas. Às vezes a brincadeira era aceitável, outras, passava do limite. Um exemplo foi uma pegadinha que envolveu uma loja de roupas. A pessoa que queria provar uma roupa, era surpreendida no provador por uma jibóia, e saía desesperada, seminua e aos gritos.
Isso é inaceitável, tanto do ponto de vista ético profissional, quanto comportamental. Será que a produção desses quadros não pensam no estado de saúde de cada pessoa e da reação que cada indivíduo possa ter? E o conteúdo apresentado ao telespectador é de interesse? Tem qualidade? A programação da televisão brasileira enriquece com esse tipo de exibição?
Os exemplos citados no início desse texto, do site da UnB (Universidade Federal de Brasília), provam o que uma simples brincadeira de mau gosto e sem preocupação com as conseqüências, pode causar. No item 86, o Corpo de Bombeiros da cidade de São Paulo é chamado por uma possível tentativa de suicídio. E o que era na verdade não passava de uma pegadinha de um programa de televisão. E em outro caso, a pegadinha caracterizava um movimento político-social com vândalos. Isso gerou um pedido de resposta do movimento no programa (Movimento dos Sem-teto).
Os profissionais da televisão não pensam em criar programas a fim de atender ao princípio inicial da televisão, a de educar e socializar. Os programas são criados com a finalidade de alcançar grandes audiências, não importa como isso será feito, nem como será produzido, muito menos as conseqüências, e sim, como será interpretado pelo indivíduo que vive numa grande massa, se agradar ótimo, se não, cria-se outro. A ética não existe nesses casos, aliás, nem é lembrada.