domingo, 17 de fevereiro de 2013

Abandonaram São Paulo

Desde que acabaram as eleições municipais no ano passado, a cidade de São Paulo foi abandonada pelos poderes Executivo e Legislativo.

Quem reside no município se depara com o mato crescendo por toda a parte (o serviço de jardinagem da prefeitura parece que saiu de férias), buracos em ruas e avenidas, asfalto de muita má qualidade, sem falar do viaduto Eng. Orlando Murgel, que liga a Zona Norte ao centro da capital e teve que ser interditado no dia 17 de setembro devido a um incêndio na favela que existe embaixo da estrutura.

Pasmem senhores, há quatro meses que o viaduto está parcialmente interditado. É descaso ou incompetência da Prefeitura?

E a porcaria da AES Eletropaulo? Nem vou comentar dos semáforos que param de funcionar após uma tempestade, comum em nossa cidade nessa época de verão. Aqui na rua onde eu moro (Vila Guilherme – Zona Norte) a iluminação “vive” com problemas, e muitas vezes a rua fica às escuras. Isso há pelo menos três anos, e existem ainda dois terrenos da concessionária em que não são realizados serviços de manutenção, como dar um jeito no matagal que se transformaram os dois terrenos.

E o que me deixa mais inconformado é que não posso fazer nada. Vou reclamar, ficar estressado, ligar para o serviço público para ficarem me transferindo de um lado para o outro, e depois de tanto stress ficar frustrado por não terem resolvido absolutamente nada? Desculpe-me, mas prefiro usar esse tempo para trabalhar ou ficar com minha família.

A única coisa que farei é desabafar neste espaço.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

House of Cards

House of Cards é sem dúvida a série que veio para arrasar em 2013. Quem gosta de política como eu e ainda não assistiu a série está perdendo uma ótima oportunidade de ficar horas em frente ao computador curtindo cada episódio.

O roteiro é dez, com frases como “Dinheiro é a mansão no bairro errado, que começa a desmoronar após dez anos. Poder é o velho edifício de pedra, que se mantém de pé por séculos”, você fica preso e não consegue parar de assistir.

As intrigas e conspirações planejadas por Francis Underwood nos levam a democracia inicial de Grécia ou Roma e faz qualquer um pensar se esse sistema ou filosofia que governa o mundo é mesmo eficaz, já que ele parece não evoluir com suas raízes fincadas em “quem pode mais” e no “toma lá da cá”.

“O que precisam entender sobre o meu povo é que ele é um povo nobre. Humildade é sua forma de orgulho. É sua fortaleza, é sua fraqueza. Se você mostrar humildade diante deles, eles farão que você quiser”. Parece um certo povo brasileiro não?

Agora vou parar por aqui e dar continuidade na série com direito a pipoca com manteiga. Fui!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Violência

07/02/2013 - 17h35, Rua Jaguaribe, em São Paulo. Um motorista fechou uma moto, o que gerou um chute efetuado pelo motociclista no veículo. Com o trânsito parado devido ao semáforo fechado, o veículo alcançou a moto e fechou o caminho.

Motorista e passageiro descem do carro e todos se assustam. O motorista estava armado e parecia ser policial, pois ele ligou algumas luzes de alerta do carro semelhantes a de carros policiais a paisana.

Minha esposa, assustada, grudou em mim. Não dava para ouvir o que o homem armado dizia, mas percebemos que o motociclista ficou mudo, e aquele chute disparado contra com o carro já se transformara em arrependimento tardio.

Enfim, motorista e passageiro retornam ao veículo e seguem caminho. Motociclista também. Mas a sensação de presenciar um assassinato a sangue frio e o semblante de minha esposa jamais esquecerei.

Atitudes imbecis geram atitudes idiotas e inconsequentes, pense nisso.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Jornalismo não é fácil não, viu?!

Para quem não sabe, trabalho na Assessoria de Comunicação de um grande hospital de São Paulo, como assessor de imprensa. Recentemente tivemos que responder a um caso que gerou grande repercussão.
A princípio era uma informação rotineira que tivemos que disponibilizar aos jornalistas que nos ligavam, um simples estado de saúde de paciente. Mas logo percebemos que outra instituição (no caso a PM) havia dado outra versão para a internação da paciente.
Pronto! O circo estava armado. A paciente era uma vítima que fora atacada pelo ex-marido, que tentou esfaquea-la. A PM chegou e conteve o cidadão com 3 ou 4 disparos. Isso aconteceu por volta das 20h de uma segunda-feira.
As primeiras informações veiculadas eram que a vítima tinha sido esfaquea-la. Mas quando as redações resolveram apurar direito a história se depararam com versões diferentes, pois na verdade a vítima havia sido baleada.
A TV Globo, a principal emissora do país e reconhecida pela qualidade de seus programas, produziu duas versões da notícia. Uma veiculada no Bom Dia São Paulo e outra no SPTV – 2ª Edição. Quem assistiu as duas versões fica chocado como uma emissora como a Globo não consegue apurar a informação direito, ou como acreditar na versão de somente uma fonte.
Achei importante postar esse caso para todos terem conhecimento que a Globo erra sim e que não é fácil fazer jornalismo, apesar da queda do diploma.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O produto “informação”

Quem não se sensibilizou com a tragédia em Santa Maria? Ou as enchentes no Rio de Janeiro logo no início do ano? Grandes tragédias, mortes, familiares desconsolados, 2013 marcando a vida de inúmeras pessoas e a mídia... bom, a mídia fazendo a sua parte não é mesmo?

Assistindo de camarote a repercussão que a tragédia em Santa Maria tomou, enchendo as páginas dos jornais e revistas e preenchendo todo o tempo jornalístico na maioria dos canais abertos da televisão, lembrei-me de dois filmes épicos no segmento de comunicação em massa: A Montanha dos Sete Abutres e O Quarto Poder (quem não viu veja).

A mensagem que esses filmes nos transmitem é que a informação é um produto. Exemplo fictício: “policial mata bandido para proteger vítima”. Se você der essa informação para alguns profissionais de comunicação e pedir que eles a vendam, isso mesmo, vender essa informação, você irá se deparar com diversas versões dela, que serão transformadas em notícias vendáveis, com estratégias de divulgação e relatórios de audiência a cada nova informação publicada sobre o caso.

Voltemos a Santa Maria. A tragédia ficou em segundo plano. Agora (como é comum no Brasil) leis serão elaboradas para que a fiscalização em todo o país seja mais eficaz, sobreviventes são “caçados” para concederem entrevistas e serem exibidos totalmente fragilizados pelo triste acontecimento, reconstituições serão feitas (como o Fantástico, da Globo, já exibiu), especialistas das mais diversas áreas fazem e farão questão de darem seu veredicto etc etc etc. E pronto, o negócio chamado “jornalismo” continua faturando enquanto nós somos bombardeados com o produto “informação”.

O que é certo ou errado nessa história toda? O que é ético ou não? O que eu sei, com absoluta certeza, é que isso continuará, e se você achar “nojento” tudo isso, não se esqueça que um dia você pode ser um vendedor de informação, mesmo que seja por apenas alguns segundos, se é que já não o foi.