terça-feira, 25 de novembro de 2008

Felipe César

Money, Money, Money...

Felipe César
Estou estupefato com as grandes quantias em dinheiro que os EUA, a Europa (Alemanha, França e Inglaterra etc) e o Brasil despejam na economia de seus países para conter a crise econômica que assola o mundo.
As quantias são exorbitantes. Vejam só:

· A Alemanha aprovou um plano de investimentos na ordem de 50 bilhões de euros durante os anos de 2009 e 2010;
· A França injetou 3 bilhões de euros no banco franco-belga, líder mundial de empréstimos para prefeituras e serviços públicos;
· O governo norte-americano salvou mais um banco, o Citigroup. Num investimento de US$ 20 bilhões em novos recursos, além dos US$ 25 bilhões já colocados na instituição;
· Aqui no Brasil, o presidente Lula sancionou a Lei nº 11.793, que autoriza, até o final do ano, a transferência de R$ 3.250.000.000 bilhões aos estados e municípios. O objetivo é não paralisar as exportações do país;
· E não esqueçamos dos US$ 700 bilhões que os EUA colocou em seu mercado logo no início da crise.
Podem me chamar de ingênuo, mas fiquei surpreso com tanto dinheiro para ajudar banqueiros, industriais e executivos. De onde veio tanta grana e tão rápido?
Não quero pregar que o mundo deve deixar a crise estourar de vez, e provocar desemprego e paralisação no comércio e economia global. Mas como os países ricos, e até mesmo os países em desenvolvimento como o Brasil, por exemplo, possuem tanto dinheiro para sustentar o sistema capitalista e não deixar que ele morra.
Recentemente, vi uma matéria na televisão sobre o desenvolvimento econômico e social na Angola. Lá, a desigualdade é mais gritante que aqui. Parece que ruas e avenidas asfaltadas é luxo. E então fiquei pensando: tantos países com dificuldades básicas como saneamento, fome e urbanismo, não recebem ajuda na casa dos bilhões de dólares como estão recebendo instituições bancárias e indústrias. Quer prova maior que um pedaço de papel chamado dinheiro, tem mais valor que a qualidade de vida do ser humano? Afinal, banco é banco não é mesmo?

A normalidade

Verissimo
O Valtão era o que se costuma chamar de “solteirão”, uma condição que sua irmã Valkíria não aceitava.
- Você precisa se casar, Valtão.
- Por quê?
- Porque não fica bem um homem da sua idade solteiro.
O Valtão tinha quase 50 anos. Entre as muitas coisas que Valkíria achava que não ficavam bem, um homem de quase 50 anos ainda solteiro era das que ficavam piores.
- Mas eu estou satisfeito assim, Val.
- Eu sei. Mas não é, não é...
- O que, Val?
- Normal.
Valkíria era casada. Com o Pereirinha que, diziam, tinha uma noiva em cada bairro da cidade e gastava uma fortuna só em transporte. Valkíria era normal. Valtão não era. Valtão precisava se casar para normalizar sua vida. Para contentar sua irmã. E para ficar bem.
- Vou te apresentar uma pessoa - anunciou Valkíria, um dia.
- Vocês vão se dar muito bem. Têm muitas coisas em comum.
- O que, por exemplo?
- Ela também gosta de cinema. Eu acho. E teatro. Adora teatro.
- Eu não gosto de teatro.
- Não sei se ela gosta de teatro, mas é uma pessoa interessantíssima. Tem renda própria e não é feia. Quer saber o nome dela?
- Não.
- Verônica. Não é bonito? Verônica. Vocês vão se dar muito bem.
- Por que você acha isso, Val?
- Porque numa coisa vocês são iguais. No que interessa. Ela também é solteirona.
Para Valkíria, mulher com quase 50 e ainda solteira também era uma aberração. Se conseguisse que o irmão e a amiga se casassem, estaria acabando com duas aberrações, por assim dizer, com uma cajadada só. E trazendo os dois para a normalidade.
O que os dois tinham mesmo em comum era que Verônica também estava cansada das pressões para se casar que sofria de amigos como a Valkíria e da família. No primeiro encontro, concordaram. Se casariam. Sem namoro, sem noivado, sem se conhecerem bem e sem demora. Desde que algumas coisas ficassem acertadas.
- Eu leio jornal na cama e durmo só de camiseta.
- Antes de tomar uma xícara de café de manhã, não falo com ninguém. Só rosno.
- Tenho horror de sol, de miúdos, de cheiro de incenso e de pagode.
- Você raspa a manteiga ou tira pedaço?
- Tiro pedaço. Você?
- Raspo. E enrolo o tubo de pasta de dente.
- Eu não enrolo, mas não tenho preconceito.
- Uma coisa: o controle remoto da televisão fica comigo.
- A não ser quando tiver futebol.
- Combinado.
Casaram-se, numa cerimônia simples na casa da Valkíria, que estava radiante. E, é claro, divorciaram-se pouco tempo depois da lua-de-mel em Porto Seguro. Valtão não sabia como contar para a irmã do divórcio. Simplesmente não dera certo. Os dois tinham hábitos de solteirões muito arraigados. Tinham tentado, mas... Valkíria compreenderia.
E, para sua surpresa, Valkíria compreendeu. Hoje em dia é normal ser divorciado, disse ela. A maioria das suas amigas era de divorciadas. Ela mesma só não era divorciada porque o Pereirinha dizia que acreditava demais na santidade do casamento e não aceitava.
FONTE: OESP - 23/11/08

domingo, 23 de novembro de 2008

“Nós vamos fazer corredor onde for possível fazer corredor”

Sebastião Almeida fala do transporte público em Guarulhos e seus projetos para o trânsito da cidade

Felipe César

Em entrevista cedida ao Jornal Cinco Minutos UnG, no dia 04/11/08, em seu gabinete na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, o prefeito eleito pela cidade de Guarulhos, Sebastião Almeida, fala do trânsito, transporte e corredores de ônibus no município. Acompanhe a entrevista abaixo:

Primeiro minuto: Almeida, quais os planos para o transporte público na cidade de Guarulhos?

Nós vamos implantar o Bilhete Único no meu governo. Com a construção de vários terminais integrados na cidade, o cidadão pode descer num terminal de ônibus, e ali, pegar um outro ônibus para outra região com o mesmo valor, uma tarifa.

Segundo minuto: Como isso será feito, se uma das maiores queixas da população está justamente nas ruas estreitas da cidade?

Guarulhos é uma cidade que foi crescendo de forma desordenada. Não tem como alguém dizer que vai alargar todas as ruas de Guarulhos, vai estar mentindo se fizer isso. Nós vamos fazer corredor aonde for possível fazer corredor.
O anel viário, por exemplo, permite um corredor exclusivo para ônibus. Nos horários de pico, nós vamos ter que transformar uma área da pista em corredor exclusivo, nem que seja por meio de isolamento de uma faixa.

Terceiro minuto: Isso acarretaria numa diminuição no fluxo de carros particulares?

Na medida em que você melhorar o transporte público, torná-lo mais eficiente, por si só ele passa a ser um atrativo para as pessoas que estavam utilizando o carro. Mas é importante lembrar que isso apenas não basta.

Quarto minuto: O que mais ajudaria Almeida?

Fazer gestões muito fortes junto ao Governo do Estado para que nossa cidade seja ligada ao metrô. O traçado do trem, pela região da Penha até a USP Leste, o Expresso Aeroporto e o Trem de Guarulhos, são obras essenciais para o crescimento de nossa cidade.

Quinto minuto: Mas isso é um projeto muito antigo na cidade...

Hoje ele está mais avançado que no passado, pois agora existe um consenso de que este será feito através de uma PPP (Parceria Público Privada). A iniciativa privada tem total interesse nessa obra. O aeroporto tem mais de 20 mil funcionários. Se somado aos passageiros que viajam todos os dias por ali, são mais de 100 mil pessoas.
O bairro do Cecap passará a ser a maneira mais fácil do guarulhense acessar o metrô de São Paulo. Mas na minha opinião, o que melhor atenderia a população de Guarulhos seria um trem que saísse da estação de metrô Tucuruvi até a Vila Galvão, cortasse até o centro e chegasse ao aeroporto. Esse é o melhor sistema para ajudar o povo de Guarulhos.




FONTE: CINCO MINUTOS UnG

“Nós temos tudo que as outras cidades gostariam de ter e não tem”

Prefeito eleito pela cidade de Guarulhos, Sebastião Almeida fala que a crise econômica mundial não irá atrapalhar o ritmo de crescimento da cidade

Felipe César

A cidade de Guarulhos possui um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 21,6 bilhões, o sétimo maior do Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2005.
Segunda cidade mais populosa do Estado de São Paulo, com 1,2 milhão de habitantes, Guarulhos apresenta um volume de exportação de cerca de US$ 1,3 bilhão, a 11º do país em volume anual.
Com uma participação de 1,01% do PIB nacional, o futuro prefeito Almeida não teme a crise econômica que afeta o mundo na atualidade, e faz planos para o crescimento econômico do município. “Vamos avançar para que a gente possa transformar a cidade de Guarulhos em um grande centro de convenções, exposições, de intercâmbio da indústria local, incentivando as feiras de comércio local”.
Segundo Almeida, Guarulhos possui dois pontos estratégicos em sua economia, “vocação industrial e forte na questão da prestação de serviços”. E ainda, segundo ele, a cidade tem todos os atributos para uma economia forte e um comércio competitivo: “Guarulhos está ao lado da rodovia Fernão Dias, tem a Via Dutra no meio, a rodovia Ayrton Senna do lado, um grande aeroporto e agora uma grande ligação entre esse aeroporto e o porto de Santos, nós temos tudo que as outras cidades gostariam de ter e não tem”.
Realmente o município de Guarulhos é muito bem localizado, e possui um dos melhores aeroportos do Brasil. Mas a população guarulhense sofre com a falta de grandes obras nas áreas de habitação e vias adequadas para o transporte público. Será que o futuro administrador da cidade irá corresponder às expectativas de seus eleitores? Isso nós só vamos poder informar daqui a um ano, no primeiro balanço da gestão de Almeida a frente da Prefeitura de Guarulhos. Até lá, muita coisa ainda vai acontecer.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

CLÓVIS ROSSI

Números que falam

SÃO PAULO - Zander Navarro, notável acadêmico, hoje na universidade britânica de Sussex, manda e-mail com o que chama de "ilustração dramática" do "ritmo desenfreado de apropriação da riqueza nas últimas décadas, o que gerou aumento na desigualdade".
Alguns números: 1 - A renda dos 1.125 bilionários do planeta (US$ 4,4 trilhões) supera a renda somada de metade da população adulta do planeta. Se se quiser comparar com o Brasil, 1.125 bilionários têm uma renda que é quatro vezes tudo o que 180 milhões de brasileiros produzem de bens e serviços.
2 - Segundo o Instituto para Estudos de Política, os executivos-chefes das 500 maiores corporações dos EUA ganharam em 2007, em média, US$ 10,5 milhões, 344 vezes o pagamento do trabalhador norte-americano típico.Já os gerentes dos 50 fundos de hedge e de "private equity" receberam cada um US$ 588 milhões, mais do que 19 mil vezes o salário-tipo do norte-americano.
3 - Em agosto de 2008, a Exxon, a maior companhia do planeta, registrava lucros recordes à taxa de US$ 90 mil POR MINUTO. Os rendimentos do Wal-Mart batiam, em 2007, o produto nacional bruto da Grécia; os da Toyota superavam o da Venezuela.
Não pense que o Brasil escapa, não. Por muito que o governo cultive a lenda da queda da desigualdade, o Ipea acaba de divulgar estudo mostrando que só em 2011 o rendimento do trabalho voltará a ter a participação na riqueza nacional que tinha em 1990 (45,4%).
Mesmo que volte, continuará atrás do capital, embora o número de capitalistas seja obviamente bem inferior ao de assalariados. No governo Lula, aliás, a queda da participação do trabalho no bolo da riqueza nacional acentuou-se até 2004, só começando a se recuperar a partir de 2005.
Todos esses números dispensam opinião. Falam sozinhos.
FONTE: FSP - 14/11/08

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O fascínio do jornalismo

Carlos Alberto Di Franco

As virtudes e as fraquezas dos jornais não são recatadas. Registram-nas fielmente os sensíveis radares da opinião pública. Precisamos, por isso, derrubar inúmeros mitos que conspiram contra a credibilidade dos jornais. Um deles, talvez o mais resistente, é o dogma da objetividade absoluta. Transmite, num pomposo tom de verdade, a falsa certeza da neutralidade jornalística. Só que essa separação radical entre fatos e interpretações simplesmente não existe. É uma bobagem.
Jornalismo não é ciência exata e jornalistas não são autômatos. Além disso, não se faz bom jornalismo sem emoção. A frieza é anti-humana e, portanto, antijornalística. A neutralidade é uma mentira, mas a isenção é uma meta a ser perseguida. Todos os dias. A imprensa honesta e desengajada tem um compromisso com a verdade. E é isso que conta.Mas a busca da isenção enfrenta a sabotagem da manipulação deliberada, a falta de rigor e o excesso de declarações entre aspas. O jornalista engajado é sempre um mau repórter. Militância e jornalismo não combinam. Trata-se de uma mescla, talvez compreensível e legítima nos anos sombrios da ditadura, mas que, agora, tem a marca do atraso e o vestígio do fundamentalismo sectário. O militante não sabe que o importante é saber escutar. Esquece, ofuscado pela arrogância ideológica ou pela névoa do partidarismo, que as respostas são sempre mais importantes que as perguntas. A grande surpresa no jornalismo é descobrir que quase nunca uma história corresponde àquilo que imaginávamos.
O bom repórter é um curioso essencial, um profissional que é pago para se surpreender. Pode haver algo mais fascinante? O jornalista ético esquadrinha a realidade, o profissional preconceituoso constrói a história. Todos os manuais de redação consagram a necessidade de ouvir os dois lados de um mesmo assunto. Trata-se de um esforço de isenção mínimo e incontornável. Mas alguns desvios transformam um princípio irretocável num jogo de cena. A apuração de faz-de-conta representa uma das maiores agressões à ética informativa. Matérias previamente decididas em bolsões engajados buscam a cumplicidade da imparcialidade aparente. A decisão de ouvir o outro lado não é sincera, não se apóia na busca da verdade. É um artifício. O assalto à verdade culmina com uma estratégia exemplar: a repercussão seletiva. O pluralismo de fachada convoca, então, pretensos especialistas para declararem o que o repórter quer ouvir. Personalidades entrevistadas avalizam a “seriedade” da reportagem. Mata-se o jornalismo. Cria-se a ideologia.
É necessário cobrir os fatos com uma perspectiva mais profunda. Convém fugir das armadilhas do politicamente correto e do contrabando opinativo semeado pelos arautos das ideologias. A precipitação e a falta de rigor são outros vírus que ameaçam a qualidade da informação. A manchete de impacto, oposta ao fato ou fora do contexto da matéria, transmite ao leitor a sensação de uma fraude.
Autor do mais famoso livro sobre a história do jornal The New York Times, Gay Talese vê importantes problemas que castigam a imprensa de qualidade. “Não fazemos matéria direito, porque a reportagem se tornou muito tática, confiando em e-mails, telefones, gravações. Não é cara a cara. Quando eu era repórter, nunca usava o telefone. Queria ver o rosto das pessoas.”“Não se anda na rua, não se pega o metrô ou um ônibus, um avião, não se vê, cara a cara, a pessoa com quem se está conversando”, conclui Talese. E o leitor, não duvidemos, capta tudo isso. Boa parte do noticiário de política, por exemplo, não tem informação. Está dominado pela fofoca e pelo declaratório. Não tem o menor interesse para os leitores. O uso de grampos como material jornalístico virou ferramenta de trabalho. A velha e boa reportagem foi sendo substituída por dossiê. De uns tempos para cá, o leitor passou a receber dossiês que, muitas vezes, não se sustentam em pé. Curiosamente, quem os publica não se sente obrigado a dar nenhuma satisfação ao leitor. Entramos na era do jornalismo sem jornalistas, nos tempos da reportagem sem repórteres. Ficamos, todos, fechados no ambiente rarefeito das redações. Enquanto esperamos o próximo dossiê, tratamos de reproduzir declarações entre aspas, de repercutir frases vazias de políticos experientes na arte de manipular a imprensa. O jornalismo corre o risco de virar show business. É óbvio que esse modelo de jornalismo não é capaz de atrair um público qualificado. O leitor que precisamos conquistar não quer o que pode conseguir na TV ou na internet. Ele quer algo mais. Quer o texto elegante, a matéria aprofundada, a análise que o ajude, efetivamente, a tomar decisões. Conquistar leitores é um desafio formidável. Reclama realismo, ética e qualidade.
A autocrítica, justa e necessária, deve ser acompanhada por um firme propósito de transparência e de retificação dos nossos equívocos. Uma imprensa ética sabe reconhecer seus erros. As palavras podem informar corretamente, denunciar situações injustas, cobrar soluções. Mas podem também esquartejar reputações, desinformar. Confessar um erro de português ou uma troca de legendas é fácil. Mas admitir a prática de atitudes de prejulgamento, preconceitos informativos ou leviandade noticiosa exigem coragem ética. Reconhecer o erro, limpa e abertamente, é o pré-requisito da qualidade. O jornalismo tropeça em armadilhas. Nossa profissão enfrenta desafios, dificuldades e riscos sem fim. E é aí que mora o fascínio.
Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo (www.masteremjornalismo.org.br), professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia (www.consultoradifranco.com) E-mail: difranco@iics.org.br
FONTE: OESP - 03/11/08