quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Matéria Jornal Contraponto

Governo decide manter redução do IPI
Para manter o crescimento em plena crise econômica mundial, governo federal mantém política de isenção de imposto para carro
Felipe César

Neusa Cardoso Nery, 48 anos, é vendedora de uma grande loja varejista no calçadão da R. Dom Pedro II, no centro de Guarulhos. Ela acorda 6h30 todos os dias para estar apta ao trabalho às 9h. Há 21 anos trabalha com a venda de produtos da linha branca, como geladeiras, máquinas de lavar e fogões. Após vivenciar as instabilidades econômicas do país, Nery sorri ao ver que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) alavancou as vendas. “Melhorou com a redução. No início do ano as vendas estavam paradas, agora melhorou bastante”, afirma.

O governo federal tomou a iniciativa de reduzir o IPI devido à crise financeira mundial e o impacto que ela gerou na população brasileira. As pessoas passaram a consumir menos, e consequentemente, as vendas nas lojas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos caíram. Ao final de 2008, o comércio na região metropolitana de São Paulo apresentou alta de 1,7% em relação ao ano de 2007, mas registrou baixa de 6,8%, em dezembro, quando iniciou a crise econômica. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio).

No dia 29 de junho, o governo anunciou a prorrogação da redução do IPI. No setor automotivo, os consumidores terão até o final de setembro para comprar automóveis, com motor de até mil cilindradas, sem o imposto. Após esse período, o tributo passa a subir gradativamente, até retornar ao patamar de 7%, em janeiro do ano que vem.

Nos produtos da linha branca, o Ministério da Fazenda estendeu o prazo até 31 de outubro, e nas padarias, a isenção do PIS/COFINS sobre trigo, farinho de trigo e pão francês continuará em vigor até 31 de dezembro de 2010.
Segundo Nery, o dia das mães não foi um estrondo de vendas, mas permaneceu no patamar do ano passado. Mas de acordo com o funcionário de uma loja varejista da região central da cidade, as vendas aumentaram aproximadamente 30%, desde o anúncio do governo. “Nós já tínhamos um preço melhor que o do concorrente antes da medida. Esperamos crescer 35%”, afirma o gerente da loja, José Medeiros.
Medeiros também diz que a rede de lojas já está com um plano de vendas preparado após o período de redução do imposto. “Não posso revelar, é estratégia de mercado” declara o gerente.
Já Nery refaz seus planos, interrompidos abruptamente pela crise econômica. Seus 48 anos esboçam uma pessoa mais nova para a idade. Casada, possui um filho de 31 anos e um neto de 9 anos. Atende os clientes com muita cordialidade e simpatia, tenta vender um micro-ondas em promoção, mas a cliente sai da loja às pressas. Ela afirma que seu salário foi muito prejudicado no início do ano, reviu as despesas da casa e deixou os planos de trocar de carro de lado. Mas agora está mais otimista, aproveitou a redução do IPI para adquirir uma máquina de lavar.
Com a redução do imposto, o fogão teve queda de -0,93% no preço. A geladeira diminuiu seu valor na ordem de -5,42% e a máquina de lavar -6,97%. Um carro novo ficou 9,34% mais barato. Os dados são da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Segundo o Sindicato de Comércio Varejista de Guarulhos (Sincomércio), a prorrogação da medida foi recebida muito bem pelo comércio de varejo e automotivo. “Impulsionou bem as vendas”, afirma o Diretor de Comunicação Valdir Portásio. Já a Associação Comercial e Empresarial de Guarulhos (ACE), diz que o número de consultas para vendas à prazo caíram, e o aumento nas vendas na cidade foi sentida mais nos pagamentos feitos à vista.

No anúncio da prorrogação, o Ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou: “Isso aumenta a possibilidade de aumento do consumo da baixa renda". Neusa refaz seus planos após um aumento no salário devido a recuperação nas vendas. “Quero trocar de carro, um Fiesta Sedam novo, bem grande” declara a simpática vendedora aos risos.
FONTE: CONTRAPONTO - 07/2009