Ele se emociona ao falar do projeto que hoje é a sua principal ocupação. Com lágrimas nos olhos, Fabian Guida, técnico de volteio e professor de educação física, fala da principal coluna que sustenta a Escola Preparatória de Volteio (EPV): cidadania.
“Para que o esporte aconteça em cima do cavalo é preciso ter harmonia, sincronia e uma empatia muito grande, além do trabalho físico que se faz, não é só subir e fazer o exercício. Para que essa situação chegue nesse grau de confiança, em um grupo totalmente heterogêneo, com interesses diferentes, alguma coisa tem que acontecer no meio, e é isso o ápice desse esporte, na hora do fazer acontecer em cima do cavalo todo mundo tem que ter a mesma visão. É uma conduta básica de uma sociedade, básica de convivência,” explica.
Guida trabalhou na Sociedade Hípica Paulista como técnico de volteio e diretor. Se antes o foco do técnico era ganhar trofeus, hoje não há espaço para mais nada, pois Guida respira a EPV.
Após demissão da Hípica, Guida passou por maus momentos financeiros, tendo até que morar com os sogros. Mas deu a volta por cima e decidiu entrar de cabeça no projeto social.
“O projeto social visa o resgate desses valores éticos, através da desculpa de virem fazer volteio”, declara Guida, ou seja, o volteio é um atrativo para algo maior, a formação básica de um cidadão.
A EPV tem sua sede no bairro de Cidade Dutra, zona sul da capital. Tem espaço para atender no máximo 100 jovens. O projeto é subsidiado pela prefeitura e, para esse início de ano, a EPV tenta aumentar o número de crianças atendidas junto a prefeitura, que hoje é de 70 crianças.
O volteio, pouco conhecido no Brasil, é um esporte de elite, assim como a maioria dos esportes hípicos. A modalidade foi criada na idade média, quando os cavalheiros se equilibravam em cima dos cavalos com espada e escudo nas mãos.
Hoje o volteio tem competições por equipe e individual. Trata-se de um ou mais indivíduos que fazem acrobacias sobre o lombo de um cavalo em pleno movimento.
Uma das grandes volteadoras brasileiras é Flávia Themudo Guida, 13ª colocada mundial em 2002, que também trabalha no projeto da EPV e é esposa de Fabian Guida.
Revelação brasileira
Uma das últimas revelações do volteio sai justamente de onde menos se espera, de uma comunidade pobre de São Paulo. William Aparecido dos Santos, morador da segunda maior favela da cidade, Paraisópolis, foi descoberto pelo técnico Fabian Guida.
Quando criança Santos praticava ginástica artística, e foi quando o Esporte Clube Pinheiros, um dos maiores clubes do Brasil, o chamou para fazer uma seletiva. Um inesperado acidente de trânsito nas vésperas do teste o impediu de ir ao clube e, também, de continuar naquele momento com a ginástica artística. Santos fora atropelado, fraturando gravemente um dos pés, ele tinha 10 anos.
Quando estava quase recuperado, outra vicissitude surge, e ele sofre um acidente com álcool e partes do rosto sofrem queimaduras. Novamente Santos passa por um processo de recuperação e, decide então, continuar normalmente com os estudos e praticar capoeira.
Os anos passam e, de repente, a sorte sorri para Santos. Ele conhece Guida, que ficou entusiasmado com uma apresentação de ginástica artística de William no colégio e o levou consigo para o volteio.
Hoje, com 23 anos, o praticante de volteio diz, com um pouco da sua peculiar timidez, que não tem equipe de volteio no Brasil melhor que a dele. O técnico concorda: “sou suspeito em falar”. Santos foi campeão brasileiro de volteio em 2010, orgulho da comunidade e de sua mãe, que muitas vezes pediu para ele desistir do esporte e arrumar um trabalho, mas hoje o vê como um símbolo de persistência, luta e amor pelo que faz.
“Para que o esporte aconteça em cima do cavalo é preciso ter harmonia, sincronia e uma empatia muito grande, além do trabalho físico que se faz, não é só subir e fazer o exercício. Para que essa situação chegue nesse grau de confiança, em um grupo totalmente heterogêneo, com interesses diferentes, alguma coisa tem que acontecer no meio, e é isso o ápice desse esporte, na hora do fazer acontecer em cima do cavalo todo mundo tem que ter a mesma visão. É uma conduta básica de uma sociedade, básica de convivência,” explica.
Guida trabalhou na Sociedade Hípica Paulista como técnico de volteio e diretor. Se antes o foco do técnico era ganhar trofeus, hoje não há espaço para mais nada, pois Guida respira a EPV.
Após demissão da Hípica, Guida passou por maus momentos financeiros, tendo até que morar com os sogros. Mas deu a volta por cima e decidiu entrar de cabeça no projeto social.
“O projeto social visa o resgate desses valores éticos, através da desculpa de virem fazer volteio”, declara Guida, ou seja, o volteio é um atrativo para algo maior, a formação básica de um cidadão.
A EPV tem sua sede no bairro de Cidade Dutra, zona sul da capital. Tem espaço para atender no máximo 100 jovens. O projeto é subsidiado pela prefeitura e, para esse início de ano, a EPV tenta aumentar o número de crianças atendidas junto a prefeitura, que hoje é de 70 crianças.
O volteio, pouco conhecido no Brasil, é um esporte de elite, assim como a maioria dos esportes hípicos. A modalidade foi criada na idade média, quando os cavalheiros se equilibravam em cima dos cavalos com espada e escudo nas mãos.
Hoje o volteio tem competições por equipe e individual. Trata-se de um ou mais indivíduos que fazem acrobacias sobre o lombo de um cavalo em pleno movimento.
Uma das grandes volteadoras brasileiras é Flávia Themudo Guida, 13ª colocada mundial em 2002, que também trabalha no projeto da EPV e é esposa de Fabian Guida.
Revelação brasileira
Uma das últimas revelações do volteio sai justamente de onde menos se espera, de uma comunidade pobre de São Paulo. William Aparecido dos Santos, morador da segunda maior favela da cidade, Paraisópolis, foi descoberto pelo técnico Fabian Guida.
Quando criança Santos praticava ginástica artística, e foi quando o Esporte Clube Pinheiros, um dos maiores clubes do Brasil, o chamou para fazer uma seletiva. Um inesperado acidente de trânsito nas vésperas do teste o impediu de ir ao clube e, também, de continuar naquele momento com a ginástica artística. Santos fora atropelado, fraturando gravemente um dos pés, ele tinha 10 anos.
Quando estava quase recuperado, outra vicissitude surge, e ele sofre um acidente com álcool e partes do rosto sofrem queimaduras. Novamente Santos passa por um processo de recuperação e, decide então, continuar normalmente com os estudos e praticar capoeira.
Os anos passam e, de repente, a sorte sorri para Santos. Ele conhece Guida, que ficou entusiasmado com uma apresentação de ginástica artística de William no colégio e o levou consigo para o volteio.
Hoje, com 23 anos, o praticante de volteio diz, com um pouco da sua peculiar timidez, que não tem equipe de volteio no Brasil melhor que a dele. O técnico concorda: “sou suspeito em falar”. Santos foi campeão brasileiro de volteio em 2010, orgulho da comunidade e de sua mãe, que muitas vezes pediu para ele desistir do esporte e arrumar um trabalho, mas hoje o vê como um símbolo de persistência, luta e amor pelo que faz.