terça-feira, 28 de junho de 2011

Investimento municipal é desafio do novo PNE

Está em tramitação na Câmara dos Deputados o novo Plano Nacional de Educação (PNE) que vai estabelecer metas para a próxima década (2011-2020) em toda área educacional do país.
Ao todo são 20 metas que o Brasil vai ter que atingir até 2020. A principal questão são os valores de investimento que os municípios terão que arcar com o novo PNE.
De acordo com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), R$ 17,6 bilhões sairão dos cofres dos municípios de um total de R$ 52 bilhões previstos. O restante virá do Fundo de Desenvolvimento e Manutenção da Educação Básica (Fundeb).
Os municípios e estados são os principais culpados pela falta de investimentos no setor. A queda na qualidade da educação pública se deve principalmente aos muitos governadores e prefeitos que simplesmente colocaram a educação de lado. Desde o início da década de 1980 foi assim, hoje a situação começou a melhorar um pouco, mas somente nas grandes capitais e alguns municípios.
No mais, a degradação do ensino público só aumenta. Para o PNE funcionar é preciso regras fortes e eficazes contra a corrupção em licitações, desvios de verbas, qualificação dos educadores e o uso das novas tecnologias (ver matéria sobre o assunto na Revista Em Família). Se depender dos municípios a reclamação vai persistir e a desculpa que não tem dinheiro para investir na educação vai ser a panaceia usual.
Algumas metas para o novo PNE:

•Até 2020 50% das crianças com menos de 3 anos de idade tem que estar sendo atendidas em creches. Hoje, esse percentual não chega a 20%. Os municípios precisariam investir R$ 9,9 bilhões para cumprir a meta;

•A universalização da matrícula na pré-escola, para crianças de 4 e 5 anos, até 2020. Isso significa, segundo a CNM, incluir mais 1 milhão de alunos na rede de ensino, com custo adicional de R$ 700 milhões às prefeituras, além da complementação do Fundeb;

•50% das escolas do ensino fundamental ofereçam ensino em tempo integral. A ampliação da jornada, modelo que hoje atende aproximadamente 10% dos alunos das redes municipais, teria um custo de R$ 30,9 bilhões, com participação de R$ 7 bilhões dos municípios.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Case do momento: bullying

No mesmo programa A Liga, da TV Bandeirantes (como já deu para perceber sou fã do programa), no dia 11 de abril o tema foi o bullying. Esse tema foi muito explorado nessas semanas por conta do massacre em Realengo.

Como todos sabemos o bullying existe há décadas, eu mesmo sofri e fui praticante do bullyiing. Qual a diferença de anos atrás e agora? O aumento da violência no país e no mundo. Os jovens de hoje tem a certeza que somente a violência resolve seus problemas, afinal eles vêem a violência como resolução de problemas em toda parte, na família, parentes distantes, nas ruas, no mundo.

Essa reportagem mostrou o perfil dos estudantes e jovens que vivem nas periferias das grandes cidades. Não há mais respeito pelo docente e nem pela família. Qualquer tipo de provocação é resolvido na porrada, simples assim. Remorso, esquece, eles não sentem qualquer tipo de arrependimento e nem refletem suas atitudes, pois na cabeça deles não há nada de errado.

Como pai fiquei emocionado ao ver um jovem, ao lado da mãe, falando do sofrimento que passa com os colegas na escola. Fiquei revoltado ao ver uma turma de meninas que não respeita ninguém e como nossa juventude está perdida.

E o pior, não vejo uma solução rápida para o problema. Para conter o avanço do dito bullying é necessário um conjunto de medidas no setor de educação por parte do governo e, por outro lado, as famílias precisam de uma reeducação social. Ou seja, é preciso ter mais amor e respeito no mundo. Fácil né?

Trabalho infantil

Em programa exibido no dia 22 de março, a Liga, da TV Bandeirantes, abordou o trabalho infantil. Como brasileiro e jornalista já tinha uma ideia dos vários trabalhos realizados por crianças por esse país afora. Mas a reportagem me surpreendeu.

A realidade é chocante. Fiquei pasmado como ainda há pais que não se deram conta que os filhos precisam estudar para que a família comece a se desenvolver intelectualmente, financeiramente e socialmente.

Sei que há casos difíceis de julgar, como a do garoto que vende balas no semáforo. O repórter provou que o dinheiro que o garoto ganha faz diferença no orçamento familiar. E também ainda há muita dificuldade em romper o estigma ‘de pai para filhos’ e de ‘irmãos para irmãos’, como ficou claramente exposto nas reportagens do matadouro e da colheita e venda de castanha de caju.

Claro que não é somente culpa dos pais e familiares. Um conjunto de fatores favorece o trabalho infantil no Brasil, como escolas distantes das famílias, falta de transporte escolar, de fiscalização e o mais importante: falta de perspectiva que afeta as famílias, a esperança parece que morreu em muitas famílias que vivem em extrema pobreza pelo país. Isso somado a cultura de que estudar não vai levar a lugar algum.

Esse pensamento é típico de famílias que de geração em geração não progride social e economicamente e, que estudar, é coisa para quem tem tempo livre e não precisa trabalhar.

Como profissional de comunicação adorei esse programa. Como brasileiro fiquei decepcionado como ainda temos muito, mas muito mesmo o que avançar e evoluir.

Caos na saúde

Estou surpreso com a TV Globo. A concorrência conserta muitas coisas hehehehe. O Globo Repórter, que há muitos meses se resumia em reportagens sobre alimentos, animais e meio ambiente, sem aprofundamento jornalístico nenhum, voltou a época áurea.

Programa do dia 01 de abril mostrou o caos que está a saúde brasileira. Quem reside no sul e sudeste acha péssimo o serviço de saúde pública, mas quem vive no norte/nordeste sequer tem do que reclamar.

A matéria escancarou as capitais que recebem durante todo o dia pacientes vindos do interior, médicos sem comprometimento algum e que recebem seus salários em dia, outros médicos com muito amor pelo que faz e são impedidos pela falta de infraestrutura e superlotação dos hospitais.

Impossível não se emocionar com a mãe que assiste sua filhinha morrer em uma maca, mesmo com o esforço da médica, é impossível tratar a pequena paciente: não há leito na UTI infantil e também não há um diagnóstico sobre o que a criança tem. Detalhe para a repórter, como fazer um trabalho desses sem se envolver? Não dá!

Mas o caso é simples de resolver, mas ao mesmo tempo complicado, é votar certo. Prefeitos e vereadores das cidades interioranas precisam investir na saúde. Para isso o eleitor precisa fazer sua vontade nas urnas, senão tudo vai continuar como está.


Felipe C. Santos

segunda-feira, 28 de março de 2011

SAC x Consumidor

Ontem assisti a uma reportagem na TV sobre o atendimento do SAC em empresas. Nada de novo, mais uma daquelas matérias que mostra o descaso dos telemarketings com os consumidores.

O interessante, e que as reportagens desse cunho não abordam, é a punição que as empresas sofrem. Absolutamente nenhuma, nada acontece!

Em lista divulgada recentemente pelo Procon-SP, mais uma vez empresas de telecomunicações e bancos permanecem no topo de reclamações. E por que eles figuram sempre no topo do ranking? IMPUNIDADE.

Num país que é carente de concorrência em diversos setores, as empresas não investem em SAC, dispensam em gastar dinheiro com atendimento de qualidade e que resolva os problemas dos usuários e consumidores, já que o consumidor não tem para onde correr, ou fica com aquela empresa, ou fica sem o serviço, ou escolhe entre a empresa com o atendimento menos precário.

Se você pensa que as agências reguladoras fazem alguma coisa para melhorar essa situação pode esquecer. E as autoridades responsáveis até tentam, mas não conseguem alterar nada ese cenário vergonhoso de falta de respeito conosco, meros cidadãos.


Lista Procon-SP 2010


1º Telefônica

2º Itaú-Unibanco

3º Bradesco

4º Samsung

5º Claro

quarta-feira, 16 de março de 2011

Brasil é vendido como Paraíso Sexual

Outra reportagem muito bem produzida pelo Fantástico, da TV Globo, foi exibida neste domingo, 13, sobre o turismo sexual no Brasil.
A matéria mostrou que o pacote turístico que inclui "prostituição" já é vendido no país de origem do turista, ou seja, o turista já compra os "serviços sexuais" embutidos na agência e já vem para o Brasil com o hotel ou pousada definido, que contém a presença e assédio das prostitutas.
E, na minha opinião, o mais absurdo, quem comanda todo o esquema são estrangeiros. Além da imagem do nosso país ser vendida no exterior como o país das orgias, isso é feito por estrangeiros que exploram e ganham muito dinheiro com a prostituição.
Segundo a reportagem, parece que as autoridades brasileiras trabalham para que essa prática termine ou seja minimizada. Mas se continuar com a impunidade, conforme também mostrou a matéria, nada vai mudar.

Felipe C. Santos

Escândalo comprovado

Conforme minha postagem anterior sobre a fiscalização nas estradas brasileiras, a reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo neste domingo, 13, comprova tudo o que eu falei.
E ainda mais, mostra como é feito o processo da indústria de multas em municípios brasileiros. Tudo o que a gente já sabia, ou suspeitava, agora foi desmascarado pela belíssima reportagem, que mostra o esquema nas licitações, as fraudes nos equipamentos e a retirada de multas de pessoas "influentes".
Agora fica a minha dúvida, alguma coisa vai mudar? Quem é responsável por punir e depois fiscalizar todos esses processos, já que se trata de inúmeras cidades brasileiras que contratam empresas para implantação de radares e lombadas eletrônicas?
Vamos ver o que acontece.
Link da reportagem: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1653283-15605,00-MAFIA+DAS+MULTAS+E+LOMBADAS+ELETRONICAS+FATURA+R+BI+POR+ANO.html

Felipe C. Santos

sexta-feira, 11 de março de 2011

Lei Seca, de que adianta?

Lançada em junho de 2008, com estardalhaço, dúvidas e muita polêmica, a Lei Seca chegava para colocar ordem no trânsito brasileiro e punir severamente os motoristas flagrados alcoolizados.
Na época a opinião pública apoiou a nova lei. Nos telejornais e programas jornalísticos eram exibidas cenas de motoristas embriagados e em situação cômica, totalmente bêbados em frente ao volante. Os índices de mortes e acidentes nas estradas começaram a cair e a lei ganhou uma força nunca vista antes, pois estava evitando mortes.
Bom, agora estamos em março de 2011, e o que vivemos agora com a Lei Seca? Exatamente o mesmo que antes da lei. Nesse feriado de carnaval foram registrados 213 mortes em todo o país, o mesmo que uma queda de um Airbus por exemplo, mas daí todos ficariam comovidos, a imprensa colocaria a notícia como holofote durante toda uma semana, programas produziriam especiais sobre tragédias aéreas e por aí vai.
O fato é que nesse carnaval tivemos 28,7% acidentes a mais que no mesmo período de 2010. Prova que com lei ou sem lei seca o que funciona mesmo é fiscalização. O fato é que governos não devem impulsionar a indústria de multas para encher os cofres públicos, e sim fazer o que é devido, prestar serviço a sociedade que paga os impostos em dia, fiscalizar é a tarefa que coloca bom censo e educa o motorista, e não radares e lombadas eletrônicas.
Tomara que um dia as autoridades competentes percebam isso e tome as devidas medidas para que a fiscalização seja prioridade no trânsito, e não acidentes e mortes.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Projeto social a galope

Felipe C. Santos

Ele se emociona ao falar do projeto que hoje é a sua principal ocupação. Com lágrimas nos olhos, Fabian Guida, técnico de volteio e professor de educação física, fala da principal coluna que sustenta a Escola Preparatória de Volteio (EPV): cidadania.
“Para que o esporte aconteça em cima do cavalo é preciso ter harmonia, sincronia e uma empatia muito grande, além do trabalho físico que se faz, não é só subir e fazer o exercício. Para que essa situação chegue nesse grau de confiança, em um grupo totalmente heterogêneo, com interesses diferentes, alguma coisa tem que acontecer no meio, e é isso o ápice desse esporte, na hora do fazer acontecer em cima do cavalo todo mundo tem que ter a mesma visão. É uma conduta básica de uma sociedade, básica de convivência,” explica.
Guida trabalhou na Sociedade Hípica Paulista como técnico de volteio e diretor. Se antes o foco do técnico era ganhar trofeus, hoje não há espaço para mais nada, pois Guida respira a EPV.
Após demissão da Hípica, Guida passou por maus momentos financeiros, tendo até que morar com os sogros. Mas deu a volta por cima e decidiu entrar de cabeça no projeto social.
“O projeto social visa o resgate desses valores éticos, através da desculpa de virem fazer volteio”, declara Guida, ou seja, o volteio é um atrativo para algo maior, a formação básica de um cidadão.
A EPV tem sua sede no bairro de Cidade Dutra, zona sul da capital. Tem espaço para atender no máximo 100 jovens. O projeto é subsidiado pela prefeitura e, para esse início de ano, a EPV tenta aumentar o número de crianças atendidas junto a prefeitura, que hoje é de 70 crianças.
O volteio, pouco conhecido no Brasil, é um esporte de elite, assim como a maioria dos esportes hípicos. A modalidade foi criada na idade média, quando os cavalheiros se equilibravam em cima dos cavalos com espada e escudo nas mãos.
Hoje o volteio tem competições por equipe e individual. Trata-se de um ou mais indivíduos que fazem acrobacias sobre o lombo de um cavalo em pleno movimento.
Uma das grandes volteadoras brasileiras é Flávia Themudo Guida, 13ª colocada mundial em 2002, que também trabalha no projeto da EPV e é esposa de Fabian Guida.

Revelação brasileira

Uma das últimas revelações do volteio sai justamente de onde menos se espera, de uma comunidade pobre de São Paulo. William Aparecido dos Santos, morador da segunda maior favela da cidade, Paraisópolis, foi descoberto pelo técnico Fabian Guida.
Quando criança Santos praticava ginástica artística, e foi quando o Esporte Clube Pinheiros, um dos maiores clubes do Brasil, o chamou para fazer uma seletiva. Um inesperado acidente de trânsito nas vésperas do teste o impediu de ir ao clube e, também, de continuar naquele momento com a ginástica artística. Santos fora atropelado, fraturando gravemente um dos pés, ele tinha 10 anos.
Quando estava quase recuperado, outra vicissitude surge, e ele sofre um acidente com álcool e partes do rosto sofrem queimaduras. Novamente Santos passa por um processo de recuperação e, decide então, continuar normalmente com os estudos e praticar capoeira.
Os anos passam e, de repente, a sorte sorri para Santos. Ele conhece Guida, que ficou entusiasmado com uma apresentação de ginástica artística de William no colégio e o levou consigo para o volteio.
Hoje, com 23 anos, o praticante de volteio diz, com um pouco da sua peculiar timidez, que não tem equipe de volteio no Brasil melhor que a dele. O técnico concorda: “sou suspeito em falar”. Santos foi campeão brasileiro de volteio em 2010, orgulho da comunidade e de sua mãe, que muitas vezes pediu para ele desistir do esporte e arrumar um trabalho, mas hoje o vê como um símbolo de persistência, luta e amor pelo que faz.

Dilma Rousseff será a presidente da educação?

Felipe C. Santos
No dia 10 de fevereiro a presidente da República, Dilma Rousseff, fez seu primeiro pronunciamento oficial para o povo brasileiro. Para minha surpresa ela falou sobre educação.
Surpresa porque normalmente, no primeiro pronunciamento, o líder da nação fala sobre economia, geração de empregos e o desenvolvimento do país. Mas Rousseff discursou sobre o principal problema do Brasil, a qualidade e o progresso da educação brasileira.
Como há muito tempo não fazia, e nem era convencido a fazê-lo, a presidente prendeu minha atenção através da telinha. “Estou aqui para reafirmar o meu compromisso com a melhoria da educação”, foi a frase proferida no início da oratória e que me fez parar o que estava fazendo e ficar atento a televisão.
O caso é que fiquei feliz com essa “surpresa”, pois finalmente temos um presidente que sabe que a educação é a chave para o salto de crescimento que o Brasil quer dar, prova disso é a dificuldade que o país está tendo em empregar profissionais qualificados, justamente pela ausência deles.
Diz Rousseff: “Nenhuma área (educação) pode unir melhor a sociedade do que a educação. Nenhuma ferramenta é mais decisiva do que ela para superarmos a pobreza e a miséria. Nenhum espaço pode realizar melhor o presente e projetar com mais esperança o futuro do que uma sala de aula bem equipada, onde professores possam ensinar bem e alunos possam aprender cada vez melhor”.
De fato, no governo Lula, o ensino superior teve grandes melhorias, ainda há muito que fazer, mas o caminho é este. Agora na educação básica a defasagem é gigantesca. A partir dessas palavras da presidente tenho esperanças que o governo federal tome medidas, para que a situação da educação básica comece a melhorar, pois está mais do que provado que os governos estaduais, em sua maioria, sucatearam o ensino fundamental e médio por todo o Brasil.
Também fiquei com boas expectativas em relação aos profissionais da educação. “É hora de investir ainda mais na formação e remuneração de professores”, afirmou Rousseff. É uma luz de que os professores possam ter realmente a profissão valorizada pelas autoridades competentes.
Caros leitores é hora de fazermos a nossa parte. Informarmo-nos sobre o que acontece no universo educacional, participar, sugerir e cobrar. Só a educação de boa qualidade liberta, faz pensar, resolver e criar, só basta isso para que o Brasil se torne um país desenvolvido, pois é a partir da educação é que tudo se constrói e toma forma.