quinta-feira, 26 de junho de 2008

Didi, Dedé e o humor que ficou no passado

Júlio Maria, julio.maria@grupoestado.com.br

A grande notícia da semana não foi a vinda do príncipe japonês nem o empate vestido de derrota do Brasil para a Argentina. Nada disso. O que passou praticamente batido pelos meios de comunicação se deu no Projac, os estúdios da Globo no Rio de Janeiro, na terça-feira. Dedé e Didi estão juntos de novo, quinze anos depois do fim dos Trapalhões. O que isso pode mudar sua vida? Nada, o que é uma pena.O beijo de Dedé em Didi para selar o retorno da dupla diz muito. Depois de fazerem duas gerações irem dormir nas noites de domingo tendo acessos de riso, Didi e Dedé se distanciaram e se tornaram o primo rico e o primo pobre do riso. Didi ficou na Globo, sem um terço da graça que tinha mas sob as bênçãos da emissora. Dedé saiu de cena e foi ganhar a vida ao lado de Beto Carreiro, de forma bem menos glamourosa. Didi deu uma força para o retorno do amigo. As piadas que voltam a fazer juntos a partir de hoje, na Globo, não serão as mesmas. E a graça que se via com eles ao lado de Mussum e Zacarias se perdeu em algum lugar do passado.Há quase duas décadas, ríamos de piadas que hoje achamos imbecis ou de mau gosto. Não dá para saber se o mundo mudou ou se perdemos irremediavelmente a graça. Quer ver só? Mussum entrava em um bar e pedia: “Amigo, você tem leite de capivara aí?”. “Não tem não”, dizia o balconista. “Então me vê leite de mula manca sem cabeça”. “Ah, não tem isso não.” “Leite de perereca tem?”. “Não, claro que não”. “Nem de ganso?”. “Não”. E Mussum, deliciosamente, arrematava: “Deus é testemunha de que eu queria tomar leite. Bota uma cachaça aí!” Meu pai adorava e eu ria antes mesmo de saber que gosto tinha a cachaça.Se você riu do que leu, eu mesmo o invejo por sua capacidade de desarmar o coração e ver graça em coisas tão... singelas. Mas sei que as chances de não ter rido são muito maiores. Eu mesmo não daria um pio. Hoje como pai, acharia a piada, além de sem graça, de péssimo gosto e diria algo como ‘onde já se viu fazer uma apologia dessas ao alcoolismo em um programa para a família em plena noite de domingo?’. A associação dos alcoólicos anônimos certamente entraria com uma representação na Justiça para tirar Os Trapalhões do ar. Mussum cairia em desgraça. E a sociedade de proteção aos animais interpretaria a piada como desacato às pererecas e aos gansos. Os Trapalhões, hoje, não sobreviveriam ao segundo programa. Sinal dos tempos.Se os tristonhos senhores Didi e Dedé não fazem mais rir, a pergunta é: ‘Onde foi parar o riso na TV?’. No Pânico? No CQC? No Casseta & Planeta? O patrulhamento tem acabado com todos eles. O Pânico sofre por ter arrumado briga com Wagner Moura. Depois que dois de seus humoristas surtaram e passaram uma meleca na cabeça do ator, um batalhão de outros artistas, solidários ao amigo, deixaram de falar com o programa. Seus quadros ficam cada vez mais sem graça e sem inspiração. O CQC nem emplacou e já começa a ser barrado em ambientes oficiais onde tenta fazer suas graças de humor político politicamente incorreto. E o pobre Casseta & Planeta, que tem um time de geniais comediantes, envelhece e perde a piada. Sente, além do peso da idade, a força de um patrulhamento que vem das ruas com poder cada vez mais surpreendente. A lista de assuntos com os quais não se pode fazer piada aumenta. E a graça toda acabou ficando com o Chaves.

FONTE: JT 22/06/2008

2 comentários:

Mauricio Barreira e William Viana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mauricio Barreira e William Viana disse...

Eh grande Felipe, as grandes piadas já estão próximas de retornarem a nossa TV, dois meses antes do dia mais esperado do ano, o dia 05 de outubro, dia da eleição para prefeito e vereador, vamos ver os nossos melhores comediantes com suas piadas prontas e sem graça, o que será que eles vão querer inventar agora? Acredito que eles irão propor fazer um novo estádio, para levar um dos jogos da Copa do Mundo para a sua cidade, imagine um jogo entre Angola e Alemanha em Pindamonhangaba? Como nosso querido amigo Silas diria, isso seria surreal. hahahaha
Nossa as nossas famosas musiquinhas nojenta de vereadores estão voltando também, "Ei, ei, Eymael / Um democrata cristão / Para presidente do Brasil / Queremos Eymael / Pela família e pela nação.",quero só ver qual vai ser a melhor musica da eleição, a MTV poderia premiar a melhor jingles da política 2008. O premio de melhor musica para um FDP vai para?? Façam a sua escolha pessoal.
Quem será que vai ser o candidato que terá a cara de pau em 2008, igual ao saudoso Maluf e o fabuloso Collor, os dois contaram a piada e alguns palhaços o elegeram isso que e memória brasileira. E o José Simão tem razão quando ele diz que esse e o país da piada pronta, agora e só espera q já estão chegando o mês da comedia e só pegar o balde de pipoca e rir.


Abraço

WILLIAM