terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O produto “informação”

Quem não se sensibilizou com a tragédia em Santa Maria? Ou as enchentes no Rio de Janeiro logo no início do ano? Grandes tragédias, mortes, familiares desconsolados, 2013 marcando a vida de inúmeras pessoas e a mídia... bom, a mídia fazendo a sua parte não é mesmo?

Assistindo de camarote a repercussão que a tragédia em Santa Maria tomou, enchendo as páginas dos jornais e revistas e preenchendo todo o tempo jornalístico na maioria dos canais abertos da televisão, lembrei-me de dois filmes épicos no segmento de comunicação em massa: A Montanha dos Sete Abutres e O Quarto Poder (quem não viu veja).

A mensagem que esses filmes nos transmitem é que a informação é um produto. Exemplo fictício: “policial mata bandido para proteger vítima”. Se você der essa informação para alguns profissionais de comunicação e pedir que eles a vendam, isso mesmo, vender essa informação, você irá se deparar com diversas versões dela, que serão transformadas em notícias vendáveis, com estratégias de divulgação e relatórios de audiência a cada nova informação publicada sobre o caso.

Voltemos a Santa Maria. A tragédia ficou em segundo plano. Agora (como é comum no Brasil) leis serão elaboradas para que a fiscalização em todo o país seja mais eficaz, sobreviventes são “caçados” para concederem entrevistas e serem exibidos totalmente fragilizados pelo triste acontecimento, reconstituições serão feitas (como o Fantástico, da Globo, já exibiu), especialistas das mais diversas áreas fazem e farão questão de darem seu veredicto etc etc etc. E pronto, o negócio chamado “jornalismo” continua faturando enquanto nós somos bombardeados com o produto “informação”.

O que é certo ou errado nessa história toda? O que é ético ou não? O que eu sei, com absoluta certeza, é que isso continuará, e se você achar “nojento” tudo isso, não se esqueça que um dia você pode ser um vendedor de informação, mesmo que seja por apenas alguns segundos, se é que já não o foi.

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