domingo, 17 de agosto de 2008

Felipe César

O acordo divino
Início dos tempos... o homem inexistia e a Terra era coberta pela mãe natureza, sem interferências humanas.
Deus, na sua sábia sabedoria, queria inventar algo novo, inusitado, aliás não! O Todo Poderoso queria revolucionar, criar algo tão grandioso, digno de sua grandiosidade divina.
Depois de matutar muito, surge a luz! Deus inventa o homem. Ser capaz de evoluir ao longo dos tempos, procriar e viver em harmonia com os outros seres vivos terrestres.
Ao longo dos anos, o homem cria dificuldades em relação a paz e prosperidade no planeta. Deus não tardou, tomou providências drásticas e lançou enormes castigos ao homem. Nevascas que embranqueceram todo o globo, tempestades capazes de encher todo o mundo, mas nada disso resolveu a questão. A invenção de Deus era um ser complexo e confuso.
Deus estava pensando no que fazer, quando recebeu uma visita inesperada:
- Fala aí God! Tudo na nice?
Deus: - Quem és tu?

Deus se refere a uma criatura de pele avermelhada, queimando em fogo, pequenos chifres sobre a sabedoria, bigodinho ralo, sorriso largo em um intrigante senso de humor.
- Minha graça é Diabo, mas pode me chamar de Lúcifer que é mais chique.
Deus: - O que queres aqui criatura esquisita?
Diabo: - Vim te ajudar God! Tenho a solução para seu problema.
Deus: - Não tenho problemas! Sou o criador do céu e da Terra, por que tens a petulância de achar que tenho algum problema???
Diabo: - God, God tsc tsc... Achei que vossa senhoria era mais humilde. Mas como sou compreensivo, te ajudarei da mesma forma. O homem, sua maior invenção. O Senhor não o entende como eu, aliás, eu surgi a pedido dele, na necessidade humana.

Deus interrompe o Diabo na mesma hora:

Deus: - Pare já com isso! O homem saiu das minhas mãos, não vai ser você e nem ninguém que vai vir aqui me dizer como lhe dar com o homem.
Diabo: - Com todo o respeito God, se o Senhor soubesse as necessidades e aflições do homem, não o castigaria, e sim o presentearia.

Deus resmunga, mas sabe que a feiosa criatura está dizendo algo lógico, afinal, todos os seus castigos sobre a Terra não surgiu efeito positivo sobre o homem. Então Deus decide deixar o Diabo continuar com sua fala malandra no reino dos céus. Afinal, o que Deus tinha a perder.

Diabo: - Deixe-me propor uma solução God. Por que em vez de castigá-lo, não o coloca à prova?
Deus: - Como assim?
Diabo: - Pense God. O homem tem que tomar suas próprias decisões, e assumir o efeito que essas decisões terá em sua trajetória pela Terra. O homem tem que ter a liberdade da escolha, mesmo que essa escolha seja antagônico aos seus interesses God.
Deus: - Hum... poderia chamar isso de livre arbítrio.
Diabo: - Isso God! Pegou o jeito da coisa. Mas minha ajuda tem um preço.

Deus ficou irritadíssimo com o modo que o Diabo se dirigiu a ele, o Reino dos Céus estremeceu, Deus se preparava para dizimar ali mesmo ô coisa ruim quando:

Diabo: - Calma ó Todo Poderoso, me perdoe. Sou apenas um humilde servo da humanidade, não tenho sua polidez e intelectualidade Deus, me perdoe.
Deus: - Fale logo Lúcifer, o que queres?
Diabo: - Propor um acordo. O homem vai ter o livre arbítrio, mas nós não podemos em hipótese alguma interferir na decisão do homem. Diante de sua infinita sabedoria Deus, proponho que vossa senhoria invente algo que ache que vai definir a boa decisão dos homens na Terra. E eu, em contrapartida, invento algo que possa inferir no arbítrio do homem, afim de tê-lo em meu reino após sua trajetória pela Terra. Concorda ó ser único?
Deus: - De acordo Lúcifer. Já que você contribuiu para minha melhor decisão, eu faço esse trato com você. Eu jogo sobre o coração dos homens algo que nada, mas nada neste mundo irá corrompê-lo. O homem sempre decidirá o melhor para a Terra e seus habitantes. Eu, Deus, jogo sobre o homem o Amor!

Toda a Terra de repente estremece, os rios se revoltam, os animais rugem. É lançado no planeta o amor, sentimento que tem por objetivo livrar o homem de todo o mau, fazendo com que toda humanidade pratique o bem, e sendo assim, terá seu espaço garantido no Paraíso ao lado de God, desculpe... ao lado de Deus.

Diabo: - Ok God, agora é minha vez. Não será algo tão profundo como seu Amor. Será simples, mas terá um poder avassalador ó grande Deus. Lamento, mas acho que o Senhor perdeu essa parada. Eu, Lúcifer, lanço na Terra o Dinheiro!

O capeta coloca nas mãos humanas um pedaço de papel, cujo objetivo é trocá-lo por algo que goste, ou pelo serviço de outro humano.
Deus esnoba a invenção de Lúcifer:

- Pronto Lúcifer, o acordo está feito. Lamento, mas o seu reino vai estar vazio para todo sempre, essa sua invenção não terá poder no coração dos homens, não é páreo para meu Amor. Mas será sempre bem vindo aqui Lúcifer. Quando quiser tomar um cafezinho ou jogar conversa fora, apareça!
Diabo: - Beleza God! Adorei ter feito negócio com vossa senhoria, sei que é uma divindade de palavra, honrará nosso acordo.

O Diabo vai embora, muito feliz pelo feito. Após séculos e séculos de vida na Terra, o Diabo sobe novamente ao Paraíso.
- Fala aí God! Tudo em riba?
Deus: - O que queres aqui Lúcifer?
Diabo: - Vim fazer-lhe um pedido God. Pode ser?
Deus: - Fale.
Diabo: - Será que vossa senhoria poderia me vender alguns lotes de terreno aqui no Paraíso? A rapaziada lá embaixo já não cabe mais God.
Felipe César - 17/08/08

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